Um blog para exaltar o meu Verdão. E não só exaltar, mas também aliar poesia e bola, bola e poesia. E só. Não só. Cornetar também, quando necessário.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Nana, nenê, que o Vinte vem pegar...!!!

É, Maria Izabel...A praia estava deserta, mas o campo não. Sem esteira, mas de chapéu, lá estava você na Vila mais verde do mundo com seus bebês-chorões a tiracolo. Onze bebezões achando que a vida é um simples naco de algodão doce.

Mas a vida não é isso não, Maria Izabel. E soa clichê, soa lugar-comum, é clichê, é lugar-comum, mas você sabe, Maria Izabel, que rapadura é doce, mas não é mole, certo? Certo. A rapadura é sempre dura, e pra velhinho ou bebê, provar de seu mel é só...chupando!

É isso, Maria Izabel, lance mão de seu chapéu e diga aos bebezinhos: "chupa cambada. E chupa direitinho se não o titio Robert volta pra pegar vocês". O titio Robert...Um vinte....Um acinte...Uma Cuca sem uruca que cutuca a nuca do santista brazuca que voltou sem nunca ter sido, né Robito? Que bonito! Berrou no jogo igual cabrito.

Canta, Maria Izabel, canta... " Nana, nenês, que o Robert vem pegar, vem ele, vem Armero e o Diego a dançar..."  E assim, melzinho na chupeta. Melzinho no pirulito. Um pirulito? Não, moçada, quatro pirulitos dos quais três deles foram presentes do titio Robert e mais um do tio Diego. Quatro pirulitos para adoçar os bebês de Maria Izabel, sem esteira e agora também sem chapéu, oh, céu...Que verde cruel. 

E o Vinte continuou vinte, vinte na camisa, mas nesse jogo contra a bebezada santista, abandonou o papel de poste, desistiu de ser cone e promoveu barbúrdia infantil na área das sardinhas mimadas. Robert jogou como um leão, e como leão tirou o doce da boca da imprensinha.

A mídia, apressada e antecipadamente, já tinha o Palmeiras como perdedor, esquecendo-se de que quem morre na véspera é peru, esquecendo-se de  que baleia morre na praia, esquecendo-se de que peixe morre pela boca. A boca que muito fala com o próprio espinho se  entala.

E já perdido antes de jogar, imagine-se o Palmeiras no primeiro tempo já com dois a zero nas costas? Júbilo total nas cabines, sorrisos caiados nos microfones, letras garrafais já nas impressoras dos jornais... Manchetes prontas. E Robert, primeiro pirulito. E Robert, segundo pirulito. Decretado empate ainda na etapa inicial.

E emudeceram-se as bocarras jactantes. E calaram-se as manchetes flutuantes. O cone já não era cone. O poste já não era poste, o pino de malha já não era vinte, e o Verdão contente cantava pra você, Maria Izabel, que sem esteira e  sem chapéu, na Vila mais verdinha do mundo, tirava da rapadura o mel.

E o que não era passou a ser.  Um pirulitinho de Diego, um anão de quatro na grama, e outro pirulitaço de Robert completaram o segundo tempo. Tirava-se definitivamente  o doce da boca da imprensinha, e empurrava-o docemente  na boquinha da bebezada da Maria Izabel. Oh, céu! Que verde cruel!

Vitória de lamber os beiços. Vitória de deixar em versos nossa Maria Izabel ninando as crianças: " Nana, nenês, que o Robert vem pegar...É um vinte, é um poste, mas cada gol nos fez calar..."

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um pino que é vinte e o fino da bola...

Minha filha são-paulina, sempre tão afoita a secar o meu Verdão, demonstrou-se apática no pré-jogo da segunda do Palmeiras contra o Sertãozinho. Disse que estava indiferente ao resultado e falou assim de um modo tão desprentensioso que quase acreditei nela. Foi como se ela afirmasse: "não se bate em cachorro morto".

Cachorro morto o catzo. Meu Verdão, que além de meu, também o é de quase vinte milhões de outras almas esmeraldinas, não morre nunca. E cachorro não é exatamente o bicho que se enquadra ao Palmeiras. Se atentarem para outro parque, saberão claramente de que tais cores estou falando e de qual cachorro.

Detalhe: ela foi dormir mais cedo e nem viu o Verdão ganhar de forma heroica do grandioso, portentoso, poderoso Sertãozinho por 3 a 2, depois de estar perdendo o jogo até os 38 minutos do segundo tempo, quando enfim Xavier foi feliz numa finalização e decretou o empate, propiciando-nos um sofrimento ainda maior nos minutos finais da partida, dada a nossa ânsia de querer vencer o jogo.

Sofrimento sim, pois no meio do nosso caminho não tinha uma pedra, como diria Drumond. Mas tinha um poste, como sempre dizem alguns, e tinha um cone, como dizem outros. E um jogador que esportivamente falando não concentra em si mais que 20 neurônios, e que realmente é um Vinte, camisa 20, e Vinte, aquele pino do jogo de malha que só se mexe para cair quando o ferro lhe bate em cima.

Pois é! Um fino sem bola, um pino que, além de não fazer o que é necessário fazer, ainda atrapalhou o companheiro Danilo na hora de um  gol mais feito que o próprio efeito de não ser gol. Haja coração. O jogo por um fio, a esperança por um fio, a classificação por um fio, e o desperdício grassando na maior das linhas sem fio.

Sem fio de liga. Desesperador. De arrancar os cabelos. Um fino sem bola. E um fino da bola. Xavier enfim, nos descontos desconta a nossa amargura e nos dá a suada vitória.  E estamos vivos. Sem ser cachorro. E muito menos morto. Que catzo.

Um tributo ao cone. Um tributo ao poste. Um tributo ao vinte. Camisa 20. Que acinte!!!


quinta-feira, 4 de março de 2010

Com cabeça quente não se arranca dente...

Há horas em  que não dá para tratar em forma de poesia. Há horas em que o fígado age com mais precisão que qualquer coração ou cabeça consciente. Há horas em que a vontade é de cuspir fogo, tal qual um dragão indomado na meia-lua da inconstância.

Nessas horas, e sobretudo nessas horas, é que pouco ou nada deve ser dito, pois de  uma cabeça quente só pode advir ações mais que ferventes. E a cabeça do palestrino neste momento está muito mais pra Vesúvio que calota do Ártico.

Assim, passadas algumas horas do novo leviatã que atingiu o Palestra Itália, quando o Palmeiras perdeu de 3 a 1 para o Santo André, a expressão de ordem agora é juntar os cacos, redefinir forças, corrigir rotas, avaliar possibilidades e...seguir em frente.

O futebol é muito dinâmico, e quem age nele como pitonisa acaba quebrando o pito. Às vezes,  a situação do momento dá algumas pistas que nos permitem colher o ponto futuro, assim numa jogadinha de um-dois, com final previsivelmente demarcado, isto se o adversário não antever também a intenção que lhe permitiria interceptar a trajetória da bola.

Claro que nossa classificação ficou agora muito mais dificil. Claro que dá para a apontar erros em todos os setores do clube que tratam do tema futebol, inclusive posturas antissociais de alguns torcedores, o que também não nos permitem generalizar nem contra torcida organizada.

Em partes, como gostaria Jack, pode-se creditar à diretoria erros grosseiros como o de desmanchar o ataque de 2009, ao deixar Ortigoza e Obina irem embora e ficando com apenas Robert no elenco como atacante. Depois, sem contratar ninguém, demitir Muricy apenas por questões de política interna, e também efetuar contratações de jogadores que demoram a entrar em forma.

Aos jogadores cabe a culpa de não saberem lidar com essa estrutura polêmica e passional e amplamente amada que é a Sociedade Esportiva Palmeiras. No choro de Armero, a declaração de incapacidade de reagir de outro modo; na má fase de  Diego, a ineficiência de assumir postura de craque; na opacidade de Xavier, a insatisfação talvez de não ter sido vendido na janela de meio-ano de 2009, e dos demais integrantes, exceto os que chegaram em 2010, a simples culpa de não poderem corresponder com o que não sabem ou não podem  corresponder.

E em meio a isso, a intocabilidade de Marcão e Pierre. Que também passaram e mostraram grandes erros numa partida ou outra, mas com tais identificações com o sagrado manto verde, que incólumes permanecem aos olhos da maiora de nossa grande torcida de quase 20 milhões de brasileiros.

Fica patente, então, que algo precisa ser feito. Mas nada de desespero, pois isso  se transforma num fantasma que incide negativamente  direto  ao campo de jogo. Há jogadores ainda para estrear, importantes, bons de bola, que juntos a outros ainda por vir, podem salvar a nossa jornada em 2010.

Entretanto, se permanecer a cabeça quente... Ah sei, não..porque com cabeça quente, meu amigo, não se arranca dente. E se teimar, pode-se ficar  sem boca. E palestrino sem boca não come amendoim.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Chove chuva, mas deixe meu Verdão jogar...

Perder de um a zero para a chuva não é nada. Perder para o Rio Claro, mesmo com  chuva, campo encharcado, bola presa em poças e poças, é que é o pior. Mas o pior realmente pior, sem dúvida, é perder 3 pontos e praticamente ficar fora do chamado grupo que disputará o título.

Toda e qualquer desculpa não é desculpa. Toda e qualquer culpa é mais que culpa, porém não faz mudar o cenário que se avisinha. Estamos quase fora do G de Cima, mas pelo menos temos o conforto de saber que o nosso time é médio e não corre riscos de cair.

E isso a chuva nos provou. Ganhamos do São Paulo, em seguida do Flamengo do Piauí e já achávamos que tínhamos uma equipe que ia para as cabeças. Mas a verdade é que de equipe nosso time não tem nada. As águas da chuva apenas desnudaram de vez os nossos problemas e confirmaram aquilo que inconscientemente já sabíamos.

O nosso time é fraco, e às vezes joga como um emaranhado de jogadores que correm não se sabe para onde, menos para o lado lógico de cada situação que é o poder de ser equipe, de cada um jogar pelo outro.

E os jogadores tentam isso, mas esbarram nas próprias limitações. Então nada a reclamar do que temos, pois é isso o que temos.  E essa oscilação constante nos nossos resultados é um  predicativo de times médios, uma vitória aqui, derrotas e empates lá, e vamos indo. E claro que vamos indo a lugar algum, uma vez que é ali que dorme quem joga assim.

E durma-se com um barulho desses. Barulho de chuva, bom pra dormir. Mas dormir perdendo de 1 a 0 para o Rio Claro, mesmo com chuva, é deprimente. Por isso, chuva, deixe meu Verdão jogar, mas sobretudo, chuva, faça meu Verdão pensar, faça meu Verdão ser equipe, faça meu Verdão ser um time, porque o MEU Verdão não é só meu, é de milhões.

E sendo de milhões, mesmo com você, chuva, não dá para perder de quem não ganha de ninguém. Porque perder para que não ganha de ninguém é ser pior que ninguém. E isso dói. Para, chuva.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entre umas e outras tem também do Piauí

...mas que começa no Japão. Não o japão Japão, mas o Japão ali da Liberdade, mais precisamente de um japonês taxista que nos levou, eu e ao @DeividDemori, ao Palestra e não sem antes tentar nos dar uma tiradinha.

Sambista o cara, corintiano e espoleteiro da Gaviões, abriu uma bocarra duas vezes maior que o dobro de seus olhos e nos mandou na cara aquele gol do Ozéias, bem marcado, dirigido, só que contra as redes palestrinas.

No entanto não ficou sem troco. O Deividão, inspirado, retrucou com o pênalti de Marcelinho e aquela sensacional defesa do São Marcos no jogo da Libertadores que mais que uma viúva Porcina, para os gambás, já o era sem nunca ter sido.

O japa riu amarelo, nós rimos verdemente e chegamos a conclusão que aquele japonês era um talismã e nos traria a sorte de ver um Palmeiras e Flamengo do Piauí acabar em 7 a 0 pra nós. 7 não deu, mas chegamos a 4 e ficou de bom tamanho.

No jogo aquela história. Futebol de um time só. Verdão atacando sempre perigosamente, perdendo gol atrás de gol, mas assinalando os necessários para consolidar a vitória. E mais uma vez, o time saia de campo sob aplausos da torcida, que muitas vezes se desconcentrou do jogo para sorrir com Jardel, fora de campo, roubando a cena.

E tanto roubou a cena que muitos torcedores nossos começaram um coro pedindo ao técnico adversário que botasse o folclórico jogador em campo. Não fomos atendidos. O treinador do Fla achou que não podia tirar ninguém só para o Jardel entrar. Aí alguém ao meu lado gritou alto na arquibancada já barulhenta:

_ Põe o Jardel...E não precisa tirar ninguém, Joga com doze.

Mais uma vez o técnico não atendeu. Talvez tenha achado, olhando para aquela barriga e aquela disposição, que onze mais um ao invés de somar doze, com Jardel naquele estado, o time viesse a piorar ainda mais. Coisas do Piauí. Ou do Rio Grande, Do Rio Grande do Sul, tchê...

Pelo menos foi o que pensou o taxista palmeirense que nos trouxe de volta à Liberdade, depois do jogo. Muito feliz pela vitória do Palmeiras e derrota do São Paulo, acabou por confundir o Deividão com gaúcho. Disse que era pelo sotaque. Sei lá. Do Japão ao Piauí, passando por 4 a 0 e chegando até o Rio Grande do Sul ainda há essas e muitas outras pra contar. E o Deivid que explique o tal sotaque.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Chororô de cotovia é ovo...

A galinha quando bota um ovo ela canta desvairadamente, o que ocorre com a maioria das aves, umas com certo comedimento; outras nem tanto. De qualquer forma, são manifestações escandalosas, carregadas de aparato e de afetação.

No futebol e principalmente quando se trata de São Paulo FC, toda vez que ocorre um resultado adverso, essa afetação aparece em forma de choro. Haverá sempre um terceiro envolvido na má jornada do time, e para não variar, este é a figura do juiz.

No jogo de domingo, quando o Verdão numa jornada que honra suas tradições praticamente engoliu o adversário durante todo o tempo do jogo, vencendo por dois a zero, fora o olé, as reclamações começaram a aparecer de forma pipocada na mídia.

Reclamaram de um pênalti não marcado em Marcelinho Paraiba e da expulsão de Xandão, considerada punição em demasia. No entanto, foi  rechaçada qualquer anomalia na falta dentro da área contra Robert. Coisas do São Paulo. Os outros estão sempre errados.

Na jogada de Marcelinho Paraiba, este, de propósito, enrosca o  pé direito no calcanhar esquerdo do nosso zagueiro e se joga espalhafatosamente. Só não é considerado um lance normal  porque contorcionismo é modalidade circense e não de futebol.

Na expulsão foi uma disputa de corrida que Xandão perdeu para Eduardo, e na iminência de invasão da área, empurrou indubitavelmente o nosso lateral, que corria em direção ao gol. Quando se impede faltosamente a possibilidade de um gol, cartão amarelo, e ao ser o segundo, expulsão. Choro bobo.

Na falta em Robert dentro da área tricolina poder-se-ia até dizer que foi uma troca de empurrões a partir da entrada da grande  área, o que é normal num jogo. Mas na sequencia não é normal um jogador ser puxado dentro da área, cair em função disso, e o juiz não marcar.

Por essas e por outras, mais uma vez o chororô do São Paulo não comove ninguém, diferentemente da cotovia, que quando canta ao novo ovo, seu canto é mais que um choro. Assim, o choro de são-paulino não é nada novo, mas o chororô de cotovia é ovo.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pra frente, Verdão... Vitória hoje agora é obrigação!!!

A nós torcedores por mais passionais de que se revistam nossas intervenções no dia do clube amado, é sabido que apenas nos cabe torcer para que os resultados DENTRO DE CAMPO sejam os mais aproximados possíveis à efetivação de nossa satisfação.

E quando muito PROTESTAR no momento em que  atos externos ao campo de jogo possam influir decisivamente na produção do time.

 Um protesto, porém, não há de ser  ofensivo e nem violento, e sobretudo, precisa observar sempre o direito de defesa, ou na verdade o direito de o objeto do protesto poder provar sua eficiência ou não na condução de situações que se ultimam nos limites das quatro linhas.

Aí sim, esse resultado pode gerar aplausos ou protestos, reconhecimento ou vaias...

Na conjuntura palestrina, recentes atos ficam para trás, temporariamente esquecidos na gaveta da expectativa. E ficam para trás justamente porque amplamente analisados, dissecados, postos à diversidade de opiniões, restando a única alternativa possível que é a de esperar suas consequências.

E uma delas passa pelo jogo de hoje.

Não por ser contra o São Paulo, mas porque não podemos ficar sem esses três pontos. Uma derrota  praticamente é o fim de qualquer aspiração neste campeonato.

E a torcida então para que Antonio Carlos acerte na escalação e no esquema tático deve ser a nossa primeira preocupação.

Todos sabemos que embora sem elenco, Muricy podia efetuar algumas alterações, mas não apresentava ousadia para isso. A insistência com Robert, a colocação de Wendel na esquerda, a contratação de Eduardo e sua não utilização, tudo isso contribuiu também para os maus resultados do treinador no comando da equipe.

Uma vez alterado o panorama, técnico e motivação novos, aos torcedores só resta agora TORCER, ao jogadores JOGAR e aos dirigentes DIRIGIR. Se cada um cumprir bem sua obrigação, teremos dado todos os passos para vencer essa crise e continuar na competição com chances de vencê-la.

No entanto, os jogadores têm agora uma obrigação a mais: vencer de qualquer maneira.

Têm de vencer para salvar a postura dos dirigentes, têm de vencer para iniciar bem um diálogo com o novo treinador, e têm de vencer porque precisam dar uma satisfação a essa torcida que é o único vértice desse triângulo que não logrou culpa alguma nesse cartório de lágrimas em que se transformou o nosso Verdão.

Por isso,  é torcer agora como nunca. Vamos lá, Verdão. Vencer o São Paulo agora é obrigação!




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A arranjada queda de Belluzzo...

Belluzzo caiu. Caiu sim. Embora não tenha caído do alto de sua (des)onipotência enquanto presidente do time mais amado como alguém jamais amou, caiu no conceito de quem depositava nele a esperança de que ele fosse no mínimo...diferente. E principalmente diferente nos métodos de fazer política.

E não torça o nariz aquele que diz que não gosta de política porque esta se faz de qualquer maneira, gostando ou não. Ou se faz política com ação ou com omissão. Quando ela é  feita com ação, o livre-arbítrio comanda e o resultado se responsabiliza por si só. Quando realizada com omissão, o resultado quase sempre é ditado por mãos alheias...

Belluzzo foi omisso porque deixou que mãos que não as suas dirigissem o clube. Usou emoção mais que razão e prejudicou o equilibrio necessário ao bom comandante. Pensou com cabeça alheia e acabou, mesmo que inadvertidamente, caindo no lugar-comum do mesmismo da omissão política.

Porém, como é um homem reconhecidamente inteligente, percebeu a armadilha em que se enredera e deu o golpe de mestre. E golpe é sempre golpe. Golpe é o mesmismo da ação política. Quando isso ocorre, inocentes pagam por essa ação nefasta. Inocentes sucumbem quando a política de interesses conflitantes articula elementos de coesão, distribuindo anéis para manutenção dos dedos.

O resultado disso tudo foi a demissão de Muricy, por um lado, e o descarte de Toninho Cecílio, por outro. Com isso, embora dolorido pela ação de perder Muricy, Belluzzo se armava com a tal conciliação e  se fechava num grupo político capaz de levá-lo a reeleição como presidente do clube no próximo embate eleitoral.

E o time? E a torcida? Time e torcida? Detalhes...Relevantes são os negócios.

Com Muricy, uma Traficc enfraquecida. Sem Muricy, união eleitoral em torno de Belluzzo e garantia da continuidade daquela parceria que faz o Palmeiras produzir jogadores não para ganhar campeonatos, mas para encher os cofres da empresa aliada. Aliada ou cúmplice, sei lá...

Não se trata aqui de defender Muricy, uma vez que uma análise mais apurada de retrospecto dos jogos não é lá muito positiva para o treinador,  e sim erguer uma trincheira a favor de  posições que a seriedade dele no comando do time deixava patente serem transparentes na condução do processo, tais como revelações de jogadores,  relacionamento com a imprensa e com os próprios jogadores.

Em suma, Muricy ganhou grande parte da torcidade justamente por causa dessa transparência. E sua demissão, da forma como foi  engendrada, passo a passo, planejada  com detalhes que por sórdidos devem ser poupados aos nossos olhos virgens de tais maracutaias, mostra que os novos rumos do Palmeiras na verdade revelam-se mantenedores das velhas teses, da mesmice política que um dia achamos Belluzzo poderia enfim descartar.

Grande engano. Muricy foi demitido, mas quem caiu foi Belluzzo. Uma queda arranjada em que o conceito da torcida ou os resultados do time nos jogos pouco importaram. Ou se importam agora, importantes são na medida em que conciliam interesses meramente particulares.

E fazer parte disso faz um homem cair como jamais pensamos  Belluzzo pudesse cair.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Chuteira amarela quem será o dono dela?

Sim, meninos...Meninos, eu vi.
E queria não ter visto. O Robert com aquela chuteira amarela é dantesco. Não por causa da chuteira amarela, mas pelo amarelo de seu futebol mínimo, quase nada, ou nada simplesmente.

Estive no Palestra para ver ontem, 17.2, esse jogo com o São Caetano. E estive ali sem muita esperança, mas ainda um tanto otimista com a possibilidade de enfim o time deslanchar. E se possivel com uma goleada.

Mas não uma goleada nas costas, como tomamos. Levar 4 a 1 do São Caetano nessa altura da competição é muito mais que dantesco. E a chuteira amarela do Robert ficou dançando nas minhas retinas e na minha inspiração noite afora, penetrando na alma e produzindo mais uma vez aquela dor que já estamos acostumados a sentir.

Meninos, eu vi. Eu vi um time que começou jogando bem, ameaçando, partindo pra cima do adversário. Vi um Diego correndo de um lado a outro do campo, driblando, efetuando passes que morriam feiosamente na chuteira amarela do Robert.

E numas dessas mortes da bola, eu a vi reviver-se  num contra-ataque veloz do adversário, quando Diego deixa Robert na cara do gol, e a defesa chega na frente ajudada por uma previsível poça de água. Gol perdido, bola de volta, de pé em pé, na velocidade, e gol contra nós.

E aí começou a derrocada. Um segundo, o terceiro. E na etapa final, o quarto.

Meninos, eu não vi. Quando Robert perdeu aquele fatídico  gol eu já previa o contra-ataque fatal e fechei os olhos. Mas um palestrino ao meu lado viu. Viu o Robert perder o gol e o Diego virar-se para o Muricy  e abanar os braços, com desânimo.

E nesse abanar de braços, o contágio. Dali  pra frente, parece que as pernas de nossos jogadores grudaram-se no chão, pesadas, forçando a gravidade. E todos elegiam então naquele instante o homem da chuteira amarela como culpado.

Não, meninos. Robert não é culpado de nada. Não se pode exigir do pelado, do pé descalço, do braço nu, aquilo que ele não pode oferecer. Culpado é quem contrata jogador assim para jogar no Verdão. E mais culpado ainda é quem escala. Wendel  na esquerda é uma piada, Figueroa na direita uma aberração, e o Marcão desanimado é melhor  ficar em casa.

Mas o problema é que só o Robert estava de chuteira amarela. Mas a metafórica chuteira amarela também está aí, pronta para calçar diretor, pronta para calçar técnico, pronta para calçar presidente, pronta para calçar jogar que desanima, que desiste do jogo. Pronta para calçar quem  não gosta do Palmeiras.

A chuteira amarela quem será o dono dela?

E no domingo, meninos, atenção: ganhar do São Paulo virou obrigação. Ou não?


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quando a dor tem cor...

Há dor que dói na pele. Há dor que dói nos olhos. Há dor que dói na alma. Mas a dor que tem cor, essa dói tanto na pele, quanto nos olhos, quanto na alma. É a dor que dói diretamente no coração de quem torce para o Palmeiras...
Perder, ganhar, ou ficar no zero a zero são circunstâncias normais que afloram no cotidiano de quem pratica, participa ou vivencia o esporte. Mas no Palmeiras parece que essas circunstâncias se repetem de maneira diferente.
Claro que todo torcedor sofre. Claro que cada torcedor tem a sua maneira singular de professar a própria dor, mas a dor de quem torce para o Palmeiras tem uma cor que não se apaga com um vitoriazinha aleatória ou com alguns empates em repetência deveras impertinente.
Quase todos os clubes oscilam. Equilibram-se em altos e baixos. Conseguem uma boa vitória aqui, sofrem um revés lá e assim vai. O Palmeiras de hoje, porém, não oscila quase nunca. Na gangorra, é sempre o lado mais pesado, beijando o chão...
Começamos 2010 com a convicção de tudo seria diferente. Lotamos o Palestra, metemos uma goleada no Mogi e o fim do túnel parecia iluminado. Mas eis que...
Eis que essa nossa dor de hoje tem origem. Tem a cor de 2009. Tem a cor de quase 20 rodadas na liderança de um campeonato dificil em que partida a partida o terreno da vitória se nos diminuia e os sorrisos de ironia de nossos adversários se acentuavam cada vez mais, trazendo uma humilhação sem precedentes na nossa história.
Sim, o pior tombo é o daquele que esteve por cima. Quanto mais alto se está e se cai, maior o ferimento da queda. E mais uma vez amparamos na garganta o grito de dor de uma coletividade em prantos ressequidos, em lágrimas verdes estagnadas em cada olhar incrédulo de um palestrino ávido por mostrar aos nossos críticos o grande amor que nos açoita o peito.
E agora, e hoje, a tão esperada partida convicente não vem nunca. Toda quarta é dia de anúncio de reforços e de jogos. Não vem reforços, e tampouco vitórias convincentes. E tampouco...vitórias.
Por essas e outras que nossa dor tem cor. É o verde de nosso amor nunca reprimido. É o verde de nossa esperança hoje quase que se esvaindo por entre nossos dedos. É uma dor que vem ao vermos nossos jogadores andando em campo, extenuados, perdidos, eu diria até...sem vontade.
Tomara realmente seja só cansaço. Tomara seja mesmo só carência de reforços. Tomara seja mesmo só mais uma fase da dor. Tomara não seja a continuação de uma dor contínua. Tomara não seja o "the end" exponencial de um filme que muitos vezes já assistimos.
Tomara...Tomara...
Porque tomados por essa anestesia burocrática do conformismo forçado só podemos enxergar a cor de nossa dor. E quando a dor tem cor ela dói mais que qualquer outra dor.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um gol além da letra...

Letras formam palavras. Palavras se dispõem em frases e orações e dão realidade ao sentido que as circunstâncias determinam. E sobretudo, as palavras também dançam na magia da imaginação e se transformam em instrumentos da arte para divinizar o belo.
Dessa forma, salvo exceções que a fonética determina, a letra é a menor parte da palavra e portanto ela é o mínimo que se pode tirar de uma circunstância transformada em arte. Porém, sem a letra, não há o talento de que se necessita para forjar qualquer circunstância, uma vez que desta se ausenta o elemento natural da arte escrita e falada que é a palavra.
Assim, quando se fala em gol de letra, claro que se refere a um gol marcado com maestria, com arte, com beleza, e o autor de algo assim pode facilmente ser guindado à condição de frequentador do olimpo futebolístico. E nessa categoria, está tanto o gol quanto seu próprio autor.
Robinho, num momento de inspiração artística, rasga o largo abismo que separa o mero do imortal e submete a seus pés o mágico Ceni, no mesmo jogo, já cabisbaixo e humilhado pela bela frase engendrada por Neymar na cobrança de uma penalidade maior.
De qualquer forma, o Santos, num só jogo, juntou a ação de Robinho à de Neymar e formaram uma palavra. Ações frutos da individualidade, lindas como um sol nascendo metaforicamente no coração de uma noiva feliz, mas com a ausência da pluralidade que só o coletivo pode oferecer.
E no coletivo, a força do gênio num mesmo lance acoplada à desenvoltura de outro gênio. Com o pé sob a bola, esta se levanta como que soprada por Diego, desliza por sobre as cabeças de seus adversários e pousa calmamente ao lado dos pés de Xavier. E mais uma vez o sopro divino, manso, deslizante, sinuoso, e a bola novamente se levanta para cair prostrada no cantinho das traves, depois de balançar irremediávelmente as redes do adversário de Bragança.
Isso sim é um gol que ultrapassa as barreiras do tangível e se veste com o manto dos deuses do futebol. Um gol plural, um gol coletivo, um gol de todos, um gol muito além da letra, pois mesmo em face da beleza de outros gols em outras partidas realizadas, este é um gol que faz suspirar aqueles que amam a singela arte do complexo transformado em simplicidade.
E afinal, um gol muito além da letra, porque não há nada mais lindo que um gol do time da gente.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Marcão: um santo da bola...

Visitei o blog do meu amigo palestrino Fabio Tatu ( o Porcopédia ) e lá encontrei o post "Marcos iguala marca de Galeano". Deixei ali em o seguinte comentário:

Marcão é nome para ficar na história do Verdão. Não se trata de divinizar o homem, mas humanizar o santo.
A religião do futebol nos permite deuses dos mais variados matizes e santos em profusão. E nessa linha, São Marcos é o nosso querido goleiro, homem de tantos jogos quanto sua glória em ser palmeirense.
Santo sob traves que se se apequenam, homem sobre um solo que se agiganta e que é sagrado lá pelas bandas do nosso Palestra Itália.

Parabéns, Marcão. Top 10 dos que mais vestiram o manto sagrado do Verdão.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um, dois, três...Com quatro é talvez...

Botar a boca em corneta pode ser até atração em TV, mas com certeza não é missão para este blog. Mas não está fácil ficar na defensiva em favor de uma administração que nem ata e nem desata. O Palmeiras precisa de reforços. E não um , dois ou três. Se contratar quatro bons jogadores, talvez venhamos a ter alguma chance nas competições que se seguem.

E não é que não tenhamos um bom time. Se de 11,nossa equipe até que não é das piores, comparada às dos nossos adversários mais diretos. Porém, não temos um elenco que nos dê segurança no banco e nos afastamentos por contusão.

Nesse jogo com os gambás o que se viu foram justamente essas circunstâncias acontecerem até naturalmente, como parte de uma crônica de resultado previamente anunciado. Muricy entrou com Armero, algo que não se poderia imaginar em face da má fase que acompanha o colombiano, e ainda manteve o Figueroa na lateral-direita.

Com isso, as jogadas de linha de fundo em função do nosso ataque pouco ocorreram, o que comprometeu a ligação entre meio-campo e atacantes. Robert também esteve abaixo da crítica, apagado e pouco pegou na bola, no entanto perdeu gols praticamente feitos. João Arthur é esforçado, mas joga em campo como se tivesse uma venda nos olhos.

A depreciação, no entanto, que grande parte da nossa torcida credita ao time, principalmente depois dessa derrota frente ao maior rival, não se justifica por si própria. O Palmeiras poderia ter vencido o jogo, se não desperdiçasse as chances de gol que o adversário ofereceu, e ainda tivemos uma atuação duvidosa do árbitro, que após a expulsão (correta ) do Roberto "meião" Carlos, inverteu faltas e andou doidinho, doidinho, para expulsar um jogador nosso, o que acabou ocorrendo com o Xavier.

E isso sem falar mais uma vez na falha individual propiciada pelo Armero, que fez uma falta desnecessária quase junto ao ângulo esquerdo da grande área defensiva do Verdão. Vale dizer que essa falha inicial fez abrir também momentos de infelicidade tanto para Edinho, que se posicionou mal em relação ao gambático Jorge Henrique, e Marcão, erradamente fora das traves, numa região densamente povoada por zagueiros.

E até para não fazer coro com os que espinafram o lateral, é só lembrar que em 2009 esse jogador não comprometeu e foi decisivo positivamente em muitas partidas. Seu choro ao ser substituído mostra que tem sangue além de lágrimas nos olhos e não pode ser crucificado por estar numa fase das menos auspiciosas. Afinal, tem muito disso no futebol, e muitos jogadores, inclusive diferenciados, o que não é o caso de Armero, já passaram por esse tipo de momento.

O fato concreto é que, mesmo em fase normal, Armero não é o lateral ideal para uma equipe com as nossas tradições, o que serve também para Figueroa. No futebol de hoje, não possuir bons laterais ( ou alas ) é colocar qualquer equipe em grupo de risco. E o Palmeiras não é time apenas para disputar campeonatos. O Verdão é time pra vencer, ganhar títulos e não de se contentar com resultados medianos.

Mas há luz no fim do túnel. Principalmente se esse não ata e não desata da diretoria for uma estratégia para gastar menos na aquisição de jogadores de potencial compatível às necessidades do clube. Falam em três. Um meia e dois atacantes. É pouco.

Com a volta de Deivid Sacconi, talvez uma quarta contratação, para compor equipe, um bom jogador, mediano como ele, possa acrescentar uma esperança maior em relação aos resultados que a torcida esmeraldina ansiosamente espera. E isso se vierem jogadores consagrados, a exemplo de Valdívia, Kleber, Nilmar, Sóbis e assim por diante. E jogadores assim foram prometidos. Para ESTA semana ainda. Sentar e esperar. Sentar não porque palestrino não senta. Palestrino não se acomoda. Palestrino apenas espera.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Clássico: Jogo de mão única...

Em que pese toda poesia, todo amor e dedicação, todo sonho e ilusão, toda a força e alegria, esse clássico contra o Corinthians no domingo não pode ter outro resultado para o Palmeiras que não seja a vitória.
Um simples empate faz perpetuar a desconfiança, e uma derrota então será catastrófica sob o ponto de vista da imagem que o time projeta: fraco com titulares e ainda sem banco. Imagem com a qual muito de nós não concordamos, mas sabemos que a corneta canta alto, e quanto pior for esse resultado contra os gambás, mais alto ainda a corneta vai vibrar.
Muito embora tudo isso deixe o clima um tanto quanto sombrio e misterioso nessa pré-tensão coletiva esmeraldina, eu estou confiante. Acho que fizemos excelentes contratações com referência ao trio Leo, Edinho e Marcio Araújo. Temos hoje um time mais compacto na defesa, e com base no último jogo, nem perigo de gol sofremos. E ainda apesar da queixa sobre a vulnerabilidade de ataque do time, o Palmeiras hoje é líder e com maior poder de artilharia sobre os adversários.
Claro que necessitamos de reforços. E isso é urgente. E reforços de peso. Não um peso em gordura, medido na balança, "privilégio" de que declinamos em favor do 100TNada, mas peso metafórico, significante de maestria, talento e vontade de jogar no Verdão. E nessa linha, AINDA também acredito na volta daquele que nunca deveria ter ido: o mago Valdívia.
Por outro lado, continuo preocupado com o nosso esquema de jogo. Temos de fortalecer o meio-campo para que o ataque possa atuar. Assim, se o Diegão não jogar, e depois da venda de Sacconi, acho que o João Arthur deveria continuar a dupla com o Robert na frente, deixando o meio para Pierre, Edinho, Marcio Araújo e Xavier. A entrada de Willian não é confiável. Sem contar as questão dos laterais, em que Figueroa está devendo muito e deveria ser substituído logo de cara pelo Wendell. Na direita, Eduardo deverá ser o titular e isso é ponto fechado, até para o próprio Muricy.
E lembremo-nos de que um dos fatores para a perda do Brasileirão em 2009 foi o esquema de jogo. Um esquema sempre com dois atacantes de ofício que quase nunca tinham contato com a bola em função da deficiência do meio-campo. Assim, chuveirinhos e ligação direta defesa-ataque eram constantes, dando ao adversário a oportunidade de se defender com maior qualidade.
Espero que o Muricy tenha aprendido a lição, pois de uma coisa eu tenho certeza que ele sabe: Que esse jogo do domingo contra o Corinthians é jogo de mão única, em que só a vitória interessa ao Verdão, para ganhar tranquilidade, manter a liderança, fechar o buraco das cornetas, e caminhar rumo ao título do Paulistão 2010.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Líder, na cadência e no sossego...

Dentro de campo, há momentos em que o silêncio impera absoluto mesmo que na mais alta frequencia do rumor das arquibancadas. Esse é o momento solitário do jogador, em que ali sozinho em meio ao verde-palmeiras da grama, acompanhado apenas da mágica bola, ele se vira a contemplar o companheiro, e este ao outro, e o outro a mais um, e em fim da solidão do silêncio brota o ato do coletivo. É hora de cadenciar o jogo.
Bola de pé em pé, lenta, vagarosa, poupando fiapos da arena verdejante, poupando músculos de cada perna, poupando o ronco de cada fôlego, para enfrentar as agruras da próxima guerra. Esse é o momento em que a Razão substitui a Emoção porque o mais importante é garantir aqueles três tão desejosos pontos que levam um time de futebol ao ponto máximo da competição.
Ser líder é isso. Saber cadenciar o jogo, tocar a bola de pé em pé, fazer o tempo passar... Há momentos dentro de campo em que se requer essa circunstância tática com o fito de fortalecer a estratégia a longo prazo.
Ontem, o Palmeiras jogou assim. Alicerçado em um time misto de titulares, reservas e jovens promessas, a equipe protagonizou o necessário para vencer o jogo contra o Monte Azul e se isolar na liderança. E isso não é pouco. Isso é ser pragmático. Isso é ser vencedor.
A entrada de Edinho na zaga palmeirense praticamente blindou a nossa defesa e fez com que a equipe adversária pouco produzisse. E não se venha com o argumento de que o Monte Azul é um time fraco pois anteriormete essa mesma equipe já havia empatado com os gambás. Outro exemplo foi o novo empate gambático, também ontem, contra o Mirassol.
Em suma: não existem equipes fracas no Paulistão. O que existe é planejamento. Time que planeja vencer e que possui os dotes individuais que se transfiguram num coletivo consciente de sua própria força, vai vencer sempre, desde que mantenha as devidas e corretas precauções.
Assim, precavido pelas ausências do poeta-mor desse time, o Diego Souza, e da liderança inconteste do milagreiro Marcão, o Verdão conquistou uma vitória necessária, tranquila e sossegada em função dos acirrados ânimos que se avisinham às vesperas da partida contra o Corinthians.
Por isso, não vi no jogo de ontem nenhum motivo para cornetagem. Nem do próprio Robert, que deve ter se enganado de palavras ao criticar a atuação das promessas Gabriel Silva e João Arthur, este último o melhor do nosso ataque nessa partida.
Agora é esperar. Os novos lances também ditarão outras considerações...
Ou ratificarão estas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O contraditório pela antítese do paradoxo

Mais uma vez teimo em dizer: o Palmeiras foi prejudicado pela atuação do árbitro. E não se trata de mania perseguitiva. E explico.
O jogo contra o Ituano estava 3 a 1 e o Verdão com um jogador a menos. Com esses números, teríamos ganho tranquilamente e APESAR do árbitro.
Porém, por conta de nossos próprios defeitos ( e bota defeito na participação do Armeiro ), o advérsário deste domingo acabou empatando o jogo. Só que em função da interferência direta do árbitro.
Na partida, o juiz deixou de marcar um impedimento claro num dos gols do Ituano e ainda não expulsou um jogador daquela equipe que fez faltas o tempo inteiro, até ser substituído por esperteza de seu treinador.
Dessa forma, com uma boa jornada de nossos principais jogadores, como Sacconi, Cleiton Xavier e Diego Souza, fizemos uma partida em que a vitória seria certa, mesmo que contaminada pelos erros de arbitragem contra nós.
E isso é o paradoxo. Vitória com erros do juiz contra nós. No entanto, empatamos o jogo por conta de nossas próprias deficiências. Essa é a antítese do paradoxo.
E o contraditório é que só empatamos porque o árbitro da partida influiu decisivamente no resultado. Assim, o contraditório pela antítese do contraditório se revela real, não-fictício e nada virtual.
Mais uma vez um juiz de futebol nos prejudica, aproveitando-se de nossas próprias falhas, as quais reconhecemos, mas que não dão a ninguém o direito de nos tirarem pontos importantes que certamente farão falta num momento seguinte.
Temos de acertar esse time? Sim, ele carece de reforços urgentemente, mas isso é problema NOSSO. E hoje teríamos vencido essa partida e com isso também escondido os erros de arbitragem. E essa não é nossa obrigação.
Árbitro tem que APITAR certo e jogador tem que JOGAR. O resto é simplesmente o avesso, do avesso e sem avesso.

A copinha que deu caldo...

Visível era a deficiência do Verdãozinho no setor defensivo, e isso já havia sido dito aqui. E essa desconexão entre os volantes e os zagueiros acabou por deixar caminhos por onde os santistas passearam nesse jogo do sábado, que valia a classificação para a final, na segunda, contra o SP.

Porém, o nosso poder de fogo no ataque é realmente impressionante. E a prova está no retrospecto das partidas e no próprio jogo contra o Santos em que marcamos 3 e perdemos outro tanto, se levarmos em consideração muita benevolência com o adversário.

É preciso lembrar, em adição, que essa força do nosso ataque está mais para o coletivo do que propriamente a um ou a alguns atacantes propriamente ditos, como exemplifica bem as atuações do centroavante Miguel que, decididamente, vai ter de treinar muito para chegar a ser um jogador médio. No futebol de hoje, com treino, paciência e bastante preparo físico tudo é possível, desde que não seja por aqui por essas benditas e maravilhosas bandas do Palestra Itália.

Sabemos que ganhar a Copinha seria para nós de fundamental importância, mas também há que se dizer que essa competição vale apenas como vitrine de jogadores. E não é pensamento que se coloca apenas por ter perdido a oportunidade do título, mas realidade pura.

Faz tempo que o Palmeiras não revela ninguém. Faz tempo que não tem um time que jogue como esse de 2010 jogou. E isso é importante. Podem escrever que eu assino embaixo: 3 jogadores estarão no time de cima, e são eles Gabriel Silva, Gilsinho e Ramos. E não estarão apenas para somar forças, dado o tempo necessário para a adaptação ao profissionalismo. É isso.

Em resumo, a Copinha já era. A Copinha deu no copo. Mas em cada copo a certeza de bom caldo.

Logo mais teremos pela frente o Ituano contra o Verdão no Palestra e estaremos de novo na liderança, caminho que estamos acostumados a trilhar. Avante, Palestra Imponente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Verdão, dãozinho e outros parangolés...

Já está cansando essa história de ser roubado. Não é possível que isso continue acontecendo sem que uma providência mais efetiva seja tomada pela diretoria do Palmeiras. Não se trata aqui de querer encobrir uma má jornada do time, até porque o Barueri é uma equipe bem montada e vai dar trabalho pra muita gente, mas é gritante a perseguição que o nosso time sofre.
No jogo, vi dois pênaltis a favor do Palmeiras que não foram marcados. Se o árbitro tivesse um mínimo de imparcialidade, na certa deveria ter assinalado pelos menos um. Mas o segundo gol do nosso adversário foi vergonhoso. Impedimento claro que até cego veria, dada a clarividência de como o lance se sucedeu.
Ao mesmo tempo, se quisermos jogar como um um time realmente competitivo, é necessário que se tenha um olhar atento em cima dos nossos laterais. Armero e Figueroa não servem para jogar no Palmeiras. Recebem bolas nas costas o jogo inteiro, e no ataque fazem cruzamentos que até o meu avô, que nunca jogou bola, realizaria de modo mais efetivo e com maior qualidade e contundência.
Dado o descaramento da arbitragem, 2 a 2 ainda foi um bom resultado. Porém, é preciso que reflitamos sobre esses acontecimentos que vêm ocorrendo com frequencia muito estreita. Para ser roubado assim, é melhor que não se entre em campeonato algum e simplesmente jogar por exibição. Quero ver como eles fariam sem o grande Palmeiras numa competição.
Já o Verdãozinho vem conseguindo passo a passo apresentar um bom futebol. Nesse último jogo, contra a Portuguesa, e que vencemos por 4 a 2, dois detalhes são importantes ressaltar:
1) Existe uma fragilidade muito grande na conexão de nossa defesa com os homens de retenção de meio-campo. Volantes e zagueiros precisam se apresentar mais firmes e harmoniosos, sob pena de em algum momento o ataque não funcionar direito e perdermos uma partida decisiva.
2) O treinador mexeu errado quando tirou Ramos, nosso melhor jogador, do time. Naquele momento, o substituído deveria ter sido o Miguel, que não vem apresentando bom rendimento como atacante. A Portuguesa compreendeu o presente, foi pra cima, fez um gol e poderia ter dado maior trabalho, porém o treinador palmeirense corrigiu seu erro anterior, sacando enfim o centro-avante para acertar de vez o time, que voltou a jogar bem e conseguir os lances necessários que nos deram a vitória.
E como defesa do contraditório, o parangolé novo. A mídia esportiva, no mesmo tom e harmonia que a geral, aproveita sempre cada oportunidade para denegrir o Palmeiras, nosso time, jogadores e torcida. Assim, todos que jogam contra a gente são fracos e só ficam fortes quando enfrentam equipes que ela defende.
O Palmeiras venceu o Mogi Mirim, primeira partida do campeonato e já começaram os vatícinios, dando conta de que a equipe do interior seria uma das rebaixadas. Como pode isso, assim, em início de temporada?
E o "fraco" Bragantino, que foi roubado em um pênalti claro feito pelo gordômeno ao colocar propositalmente a mão na boa dentro da área? Isso deu a vitória aos gambás nesse segundo jogo, mas já haviam empatado antes contra o "fraco" Monte Azul. E o São Paulo, que amargou derrota logo na estreia contra a Portuguesa e só empatou contra o "fraco" Mirassol no segundo jogo?
Na verdade, fraco é só quem joga contra o Verdão. Vitória do Palmeiras é denegrida pela imagem de time fraco que o adversário projeta. Derrotas, empates ou vitórias de São Paulo e Corinthians são enaltecidas sempre pela valentia e qualidade de seus adversários.
Essa é a imparcialidade que a mídia nos fornece. Por isso, os árbitros sabem que ficarão impunes se prejudicarem o Palmeiras, e utilizam sempre essa impunidade pra cada vez mais mais nos deixarem indignados, como estou agora neste momento. E tenho dito.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Curtas e bem-humoradas...

- Eu não entendia por que os usuários do Twitter usavam o vocábulo "ronaldando" quando acontecia algum problema de conexão no programa. Mas, hoje, 20 de janeiro, parte da manhã, quando tentei entrar e só aparecia aquela baleia, compreendi imediatamente.

- Sem querer ironizar o sofrimento dos nossos irmãos daquele país, e também para mostrar que a vida segue e a viga não pode cair, cheguei a conclusão de que o Haiti é mesmo aqui, mais precisamente em Mogi Mirim, com um abalo de 5, 1 na escala Richter e epicentro no Palestra Itália.
- De um palestrino para os gambás: "Em 2010 vocês irão libertar as dores... de barriga, de cabeça, do intestino e assim por diante".
- Vagner Love exilado na Rússia ansiava pela terra de Palmeiras. Hoje, contenta-se com a carniça que a urubuzada propicia.
- O técnico do São Paulo, ao perder para a burrinha, declarou que seu time "borrou a pintura". Nada normal, meses antes o próprio Ceni disse que a equipe havia "bambiado" num outro jogo. Borrar a pintura e bambiar dão no mesmo. Ou não dão? Dão Sim.
- Outros dizem que o São Paulo quase sempre joga com um homem a menos. Porém há quem diga que esse um apenas finge para poder figurar entre os 11.

- Disse o DeividDemori que um amigo dele vai assistir o parto do próprio filho para avisar à enfermeira que o menino é palmeirense. Tudo isso para que o garoto não seja tratado como corintiano.

-E segundo a Tania Clorofila, os gambás já devem pra tanta gente que não sabem o que fazer para arranjar dinheiro e pagar lipo para outros gordos do time.

- rsrssrsrs..E quem tiver outras é só postar nos comentários que a gente acrescenta. Até mais.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Diego, poeta da bola...

Um poema se faz com palavras escritas e ditas. E para ser poema, essas palavras escritas e ditas são trabalhadas pelo poeta de forma a submetê-las a um malabarismo vertiginoso, combinando sons e significados plurais que produzem beleza e encantamento.
Pois é. Com a bola nos pés, Diego Souza faz poesia pura, arrancando um carinhoso ornamento do atrito daquela com estes. Daquela, a bola. Estes, os pés...
Oxalá alguns insensatos, que insistem cada vez mais em aumentar a própria insensatez, consigam tirar arte das palavras e combinar sons e rimas que consigam o encantamento necessário para vencer o concurso de samba no próximo e outros carnavais.
Diego Souza é um poeta e não precisava sê-lo por simplesmente jogar futebol. Agora os compositores daquela organizada têm obrigação de escrever e cantar uma melodia única, singular, insofismável...E assim, serem os melhores poetas da competição, sob pena da mesma pena a que são submetidos alguns jogadores palmeirense quando não cumprem bem a missão de poetar a bola...
E poetar a bola é tão difícil quanto articular rimas e sons num samba-enredo vencedor. Porém, quem poeta a bola é muito mais artista que quem poeta um samba, pois quem poeta a bola faz um samba com a bola nos pés, e quem meramente poeta um samba não sabe e nem entende o que é fazer poesia com uma bola.
Diego compõe mais que um simples poema com a bola. Diego compõe muito mais que aquilo que o próprio Aristóteles definiu como arte. A arte de Diego vence os insensatos. A arte de Diego enche os olhos de quem gosta de futebol orquestrado feito música. A arte de Diego é a própria música em forma de bola.
 
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