Um blog para exaltar o meu Verdão. E não só exaltar, mas também aliar poesia e bola, bola e poesia. E só. Não só. Cornetar também, quando necessário.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Entre umas e outras, fim de ciclo para Diego

Umas...

Diego Souza possui um futebol brilhante, digno de grandes jogadores que fazem ou que algum dia fizeram mágica com uma bolas nos pés. Mas no Palmeiras não deu. Não existe a química tão necessária nos relacionamentos humanos. Fim de ciclo para Diego no Verdão.

Por força de negócios, contrato, muito dinheiro em jogo, claro que ele não vai sair agora, o que deve forçar um conjunto de argumentações que o blindarão de críticas oficiais neste momento. Porém,  de uma coisa eu tenho certeza: não será bom dentro de campo para o Palmeiras.

Diego não vem jogando bem desde que voltou daquela malfadada convocação para a seleção em 2009, o que por si justificaria a reserva. No entanto, os treinadores que que por aqui passaram consideraram-no intocável, aqueles até por conta de um elenco reduzido e fraco, enquanto Zago hoje poderia ter efetuado essa ação como preservação do ídolo, uma vez que recompomos o grupo e temos alguns jogadores que poderiam e  podem tranquilamente jogar na posição do nosso presumido craque.

Na verdade, enquanto elemento de equipe, Diego nunca foi preponderante. Em 2008, vencemos um Paulista com Valdívia no comando. Na oportunidade, o nosso camisa 7 constituiu-se apenas em mais um coadjuvante. Em que pese seu título de melhor jogador do Brasileirão 2009, isso não se reverteu em campo a favor do Verdão.

Por isso que no jogo desta quinta, dia 29 de abril de 2010, quando por 1 a 0 ganhamos de pênalti do Atlético Goianense, e mais uma vez no finalzinho, a vaia quase que generalizada que Diego recebeu não foi apenas por aquele jogo ou pelo gesto obsceno dirigido ao grupo do "modobim".

Foi uma vaia pelo conjunto da obra. Por tudo que não foi feito pelo jogador na maioria das partidas que exigiam uma participação mais intensa e de comando em campo para virar ou manter resultados positivos para a equipe. Diego não foi capaz de ser esse destaque. Não foi capaz de chamar a responsabilidade para si, e sabe-se lá por quais motivos.

Assim, fechado o círculo para Diego no Verdão, em que vigore aqui minha tristeza por isso.

E repito. Diego não sai agora, está sendo blindado e talvez até faça uma genial partida no jogo lá em Goiás, mas dificilmente voltará aos braços da grande massa palestrina.

Outras...

Diego à parte, prometo nunca mais cornetar o Robert. Esta é a última vez. Não pode ser centro-avante do Palmeiras. É ruim de bola, é grosso, é perneta, é caneludo. Só esforço não ganha jogo. Se continuarmos insistindo com ele, jogaremos sempre com um a menos. No entanto, alguns comentam que o dito cujo jogou bem essa última partida. Se foi isso, então não estive no Palestra e nem vi esse jogo.  Todavia,  pelas vaias que o jogador recebeu quando foi substituído, penso não estar sozinho nessa constatação.

Diego e Robert à parte, Zago...Pelo amor de Deus, Zago. Não dá pra ser tão medroso assim. A visão que você, Zago, tem do Palmeiras é muito pequena. Você faz o Palmeiras ser pequeno. Mas o Palmeiras não é pequeno. E quem faz o Palmeiras parecer pequeno não pode ser técnico do Palmeiras.

E que isso doa a quem quiser doer-se.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Atlético fica, Atlético vem e Verdão rumo ao título da Brasil

Não foi um jogo fácil o da classificação no Paraná. Até por conta das especulações parafernálicas e pirotécnicas em torno das reações que poderiam advir da torcida adversária por causa dos acontecimentos no Palestra envolvendo o nosso zagueiro Danilo e o jogador Manoel, do Atlético Paranaense. Mas o Palmeiras fez um jogo de muita inteligência e conseguiu a classificação mesmo naquele clima de adversidade programada. E poderia até ter saído com vitória, não fossem os erros de arbitragem e os nossos próprios via cone.

Vida de palmeirense é dura. Atlético vai e novo Atlético vem. Desta vez é o de Goiás.

E vem com a força de ter vencido sua primeira batalha interna contra o Santa Helena,  mas Santa Helena! quem será o Santa Helena? Certamente não dá para perder as melenas. ( Até porque as minhas estão cada vez mais rareadas se não desaparecidas ao todo).

Quer dizer, não há mais o que perder. Agora só resta ganhar.

E ganhar o jogo para ganhar corpo. E ganhar corpo aqui no Palestra para ser grande no jogo da volta lá em Goiás. E manter a tática. Não tomar gol. Mas fazer. Um, dois, quantos forem necessários para conseguir a tranquilidade de que precisamos para caminhar rumo ao título da Copa do Brasil.

Caminhar não, correr, morder grama, ralar as linhas do campo, comer a bola. Tal qual um César às margens do Rubicão. " Alea jacta est" - A sorte está lançada. Traduzindo: sorte lançada, bola jogada, gols marcados, título à vista, porque de prazos já superamos todos os possíveis e imagináveis ao longo dos últimos anos. Agora só resta vencer, com uma "linha atacante de raça...e com uma torcida que canta e vibra..." sem esquecer da "defesa que ninguém passa...".

E vencendo, estaremos no grupo dos 4. E não de 4.

E a minha confiança vai de vento em popa. Vamos atacar  mais esse desafio, jogando o fino da bola. E jogando o fino da bola espantamos os males das urucas desenhadas pelo pessoal da passeata do bico fino.

E haja bico fino de olho grande no Verdão. Mas haja coração verde clorofilado palmeirificado e generalizado para receber este Atlético que vem para ficar junto do Atlético que já foi. E indo, ficou pra trás, e ficando pra trás, saiam da frente que atrás não tem boi.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Na burocracia da eficiência programada

Artisticamente pode-se dizer que o jogo contra o Atlético Paranaense não foi absolutamente um modelo que assim o referendasse. Porém, há momentos em que a observação da postura de um time em campo nos permite concluir que uma proposta planejada em detalhes foi colocada em prática. Algo que com certeza se programou para esse jogo.

Marcamos 1 a 0 logo no início da partida e a partir daí apenas se gerenciaram as jogadas, todas elas alinhavadas num circulo fechado adverso a qualquer possibilidade de risco. O Palmeiras apresentou um futebol altamente burocrático, porém eficiente no que se refere aos objetivos traçados. Ganhamos o jogo sem tomar gol em casa.

E ganhar sem tomar gol em casa é condicional de sucesso ao se tratar de Copa do Brasil. No Paraná, vamos jogar por um empate de zero a zero, mas  se fizermos um gol, as nossas chances aumentam consideravelmente, pois poderemos até perder por uma diferença mínima. E é nisso que Zago está confiando: na certeza de que a equipe adversária vai se abrir jogando em casa para matar o jogo e como consequência deixará os espaços necessários para a penetração de nosso ataque.

Por isso que, no final do jogo desta quinta, 15 de abril, em entrevista, alguns dos nossos jogadores confirmaram esse planejamento, ao afirmar que a primeira preocupação da equipe era não tomar gol em casa. Assim, pode-se dizer que a missão dada a eles foi cumprida integralmente. Burocraticamente cumprida. Eficientemente cumprida.

Em termos de torcida, claro que ficou uma certa frustração pela vitória magra, no entanto a resignação frente à tática empregada também se estampou claramente nos rostos palestrinos na saída do Palestra. Resignação e esperança, vazando eco para o planejamento de Zago. Resta agora que a segunda parte do plano seja cumprida, que é a classificação e continuidade do projeto de ganhar o título da Copa do Brasil.

Todavia, nem tudo é verde no caminho do Verde. Achei Zago um tanto quanto vacilante e contraditório na armação do time e na execução das substituições. Figueroa no meio fica comprovado que não dá liga, mas como  diz  o palestrino @DeividDemori, "ali ele prejudica menos", o que também nos oferece a constatação de que até sua escalação compromete a equipe.

A saída de Lincoln para entrada de Paulo Henrique também não me agradou, salvo por motivo de cansaço ou contusão daquele. Precisávamos de mais um gol, e os constantes erros de passe de Figueroa o credenciavam a ser a substituição mais correta, algo ocorrido apenas nos estertores da partida com a entrada de Marquinhos, que botou pra fora seu 198º escanteio.

Robert, desta feita e justamente na melhor apresentação desde que agraciado com o manto palestrino, foi substituído por Ewerthon quando deveríamos ter mais atacantes em campo.  Mais um sacrifício em nome da tática do medo de tomar gol. E eu queria só mais um , unzinho só, e oxalá não nos falte semana que vem.

E por fim, o suposto episódio de racismo. Danilo erra feio com a cusparada no rosto do jogador adversário, independentemente de qualquer ofensa recebida. E a imagem de TV deixa uma impressão horrível do fato, algo que a imprensa sempre de "boa vontade com o Verdão" nem de leve deixa de relevar. Porém, de racismo não se vê prova alguma.

Mesmo assim, são situações que deveriam ser evitadas para livrar o Palmeiras de mais um  lance fora de campo que só pode conturbar ainda mais o nosso ambiente. No mais, é coisa de jogo sim, é do calor próprio de qualquer competição e resultado de reação própria ao desenvolvimento cultural, intelectual e do caráter de cada um dos envolvidos.

E a importância de um jogo quando o jogo acaba está sempre a postos nas circunstâncias do próximo jogo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Toda força ao Verdão no DIA D...

Em que pese os nossos presentes dissabores já amplamente dissecados, discutidos, deglutidos e ainda não esquecidos, temos nesta quinta-feira, num quinze de abril propicio para as grandes viradas, em pleno Palestra Itália,  a oportunidade de exorcizar de vez as estranhas circunstâncias que vêm açoitado a equipe já há algum tempo.

Estranhas na visão de alguns poucos, que gostam de usar o sobrenatural para justificar situações de negatividade acontecidas ao longo desse já mencionado tempo de vagas magras.

Creio ser a hora , portanto, de jogador parar de ficar choramingando pelos cantos, creditando ao acaso  ou à mandiga de um "nego véio" troteador de além-mar, português bisonho de cara feia, o insucesso pessoal de sua carreira no Verdão. Jogador que joga com consciência e certeza de  sua capacidade técnica tem que absorver  esses impactos nocivos com naturalidade, porém, com a força necessária para driblá-los e tornar o momento seguinte muito mais potencializado às conquistas que se seguem às tempestades vencidas.

Uma vez fortalecidos por esse espírito de virada coletiva  de que os nossos jogadores necessitam, dentro de campo as vicissitudes se tornam menos danosas ao ambiente,  mesmo que fora persistam algumas insatisfações de cunho esporádico, tais a pouca experiência do treinador ou rusgas políticas creditadas à diretoria.

Sabemos que no meio da nossa  torcida há palestrinos que consideram o time ser formado por bons jogadores e outros, creio que em minoria, mas ruidosamente reinantes, que acham a equipe realmente fraca. Todos, por consequência, esperam o resultado e a performance nesse jogo da quinta contra o Atlético Paranaense para consolidar ou abandonar suas impressões acerca de.

Por isso, cabe agora aos nossos jogadores a prova final. Esse jogo é o Dia D de muitos deles. Milhões de torcedores, como eu,  ainda confiam no time, apesar dos dedinhos cruzados.  Porém mais uma derrota em casa vai significar também o fim da possibilidade de  ganhar a Copa do Brasil e essa concretização pode escurecer muito mais ainda os ares do Palestra.

De lá  das terras roxas nos acenaram com ironias e menosprezo. Como virou rotina nessa nossa atual conjuntura. Ninguém nos respeita, mas NÓS somos grandes. Somos Palmeira até morrer. Só que não podemos viver de um amor e uma cabana. E o jogo de quinta é  nossa chance de provar que esse furacão proposto não passa por aqui de mera ventarolinha.




sábado, 10 de abril de 2010

Há que SER e há que ESTAR #Palmeiras...

O Palmeiras é imponente, mas não está imponente. É verde, mas não está verde. É forte, mas está fraco, é guerreiro, mas está covarde, é vencedor, mas está vencido, é sonho, mas está pesadelo.

O Palmeiras precisa SER e ESTAR  ao mesmo tempo. E não há lugar para outro tipo de constatação na lógica do nosso mais obscuro palestrino. Viver das glórias do passado não é exatamente aquilo que a maioria absoluta de nossos torcedores está querendo neste momento, muito embora essas mesmas glórias  tenham feito um Palmeiras grande, vitorioso, poderoso, portentoso.

Claro que o amor palestrino ao seu clube é infinito e independe inclusive de resultados, mas não se suportam mais as himilhações a que somos submetidos na rua, na TV, nos jornais, no trabalho. Olham-nos com uma ironia profunda, tratam-nos como os últimos descendentes da viúva porquina e regozijam-se pelas nossas desventuras num campeonatinho made in coxas...

E isso precisa mudar. Não adianta simplesmente o Belluzzo  passar pelo Mustafá sem cumprimentá-lo ou este àquele. Não adianta o Belluzzo chamar a oposição de "bando de pilantras". Oposição existe para se opor, e quando o trabalho realizado pela situação reduz-se àquilo que um bichano enterra, essa oposição fica ainda mais facilitada.

Quem erra tem de ouvir quietinho as críticas e tentar corrigir os rumos. E é isso que a atual diretoria tem de fazer agora. Respeitar seus críticos, entender que as vozes que se levantam contra a atuação do time estão cobertas de razão e encontar uma solução para esse impasse sem se deixar levar pela acomodação. E saber que  ainda dá tempo para ser competente. Que ainda dá tempo para salvar o ano. Porém, isso só pode ser efetuado com uma ação planejada para vencer esses revezes que insistem em aportar pelos lados do Palestra.

 E parar com essa falácia de creditar ao campo do  sobrenatural os infortúnios que o time vêm vivendo. Falta de vergonha na cara não é urucubaca, é ausência de caráter. Sonolência em campo não é feitiço, é ausência de profissionalismo. Jogadas encetadas e concluídas com efeito perna-de-pau não se resumem em bruxaria, mas em grossura das mais grossas mesmo. Enfim, se não há mágica que explique a nossa desnorteadora situação, também não será preciso nenhuma outra espécie de magia para que saiamos dela.

Assim, o Palmeiras que É Palmeiras precisa ESTAR Palmeiras. É imponente e tem que ESTAR imponente. É vencedor e tem que ESTAR vencedor. Para isso, o treinador tem que realmente treinar o time e escalá-lo corretamente de modo a que estejam em campo 11 contra 11. A diretoria não pode mais errar e  tem de dirigir o clube eficientemente sem  se deixar influenciar pela raiva contra sua oposição, interna ou externa. E os jogadores tem que jogar. Lembrar que são grandes quanto a equipe que os paga regiamente, deixar de dormir em campo, criar vergonha na cara e produzir o que todos esperamos.

E a nós, torcedores, cabe torcer. Torcer forte. Gritar o tempo inteiro as cores do nosso time e dizer: "Nós somos Palmeiras. Nós estamos Palmeiras e seremos sempre Palmeiras". Com a  corneta sob as axilas. Se precisar, corneta neles. E temos dito.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A rubrica de um desfecho anunciado

Ser otimista tem um limite. O da lucidez. Mente sã pondera o indizível e diz o possível de se ir. E se vai até a fronteira entre a sanidade e o "non sense" . E com senso, devo admitir que o meu otimismo está manchado de vergonha. Não dá mais para tentar esconder  aquilo que até o Neto em sua passionalidade exagerada já vaticinara: mais alguns jogos e esse time seria rebaixado.

O que acontece com essa equipe do Palmeiras hoje em dia só um bom psicólogo é que pode explicar, e essa não é minha função. No entanto, dá para perceber claramente que o grupo, da forma como ele está disposto dentro do campo, sofre de um terrível complexo de inferioridade. O time entra em campo com medo de perder, e perdendo, perde-se também na tentativa de recuperação.

A equipe não se impõe, repete jogadas de meio campo com distribuição lateral de bolas em toques de sonolência que enervam até o palestrino mais compreensível. O time dorme em campo. Não acelera, os fechamentos faciais das câmeras de TV não flagram nenhuma mudança na expressão dos jogadores, e assim a agonia previsível se estende pelos 90 minutos de tortura em cada jogo.

Não gosto de apontar culpados. Não faz parte da minha forma de ser. Mas agora acho que precisamos urgentemente saber quem assina esse tipo de comportamento do nosso time e que consequentemente avaliza essa diarréia incessante no futebol apresentado. A diretoria? O técnico? Ambos? Os jogadores?

A diretoria.

Primeiro, não se demite treinador em plena efervescência da temporada, exceto motivo de força maior ou ainda a possibilidade concreta de rebaixamento, na tentativa de evitá-lo. Mas essa diretoria  fez isso no ano passado quando mandou Luxemburgo embora, e logo em seguida também descartou o Jorginho. Mais recententemente, já neste campeonato paulista, deu bilhete azul para Muricy.

Segundo, tínhamos quatro atacantes no ofício de centroavante, três foram mandados embora e ficamos com o pior deles, o Robert, que quando joga bem, ficamos com 11 contra 11. Mas como é um poste, um cone, um vinte, na maioria das vezes jogamos com um jogador a menos.

Terceiro, contratamos "reforços"  que não puderam estrear imediatamente, por conta de longo tempo de inatividade anterior ou contusões pouco esclarecidas. E ainda agora, descartamos o único lateral-direito de que díspunhamos, em troca de outro jogador que só pode jogar no Brasileirão.

Por essas e outras, podemos afirmar categoricamente que uma das vertentes que assinam esse desastre verde que estamos acompanhando com pesar neste momento é a diretoria do clube, encabeçada pelo presidente Belluzzo, outrora ícone da esperança, hoje um macambúzio ordenador de destemperos, seus próprios, e de seu parceiro Cipullo.

O técnico.

Não serve para o Palmeiras. Pelo menos agora. É muito inocente em termos de domínio de grupo e faz experiências que beiram invencionices infantis. No jogo desta quarta, em que perdemos para o "brilhante e vistoso" Paulista de Jundiaí, colocou o garoto Gabriel Silva numa tremenda fogueira ao lançá-lo no lado direito das laterais. O jogador é lateral-esquerdo de orígem e da posição em que foi escalado é que surgiram os três gols que nos "presentearam" com mais uma derrota acachapante, a exemplo do que já ocorrera com  São Caetano, André, Ponte Preta, Rio Claro e assim por diante. 

Não creio que Antonio Carlos, grande zagueiro de outros tempos do Verdão, seja demitido agora, mas não aguentará um insucesso contra o Atlético Paranaense na próxima quarta-feira pela Copa do Brasil. É a corda mais fraca nesse novelo de incoerências que amarram qualquer possibilidade imediata de redenção do clube.

Os jogadores.

Sim, claro. Estes também assinam o desfecho melancólico da equipe no campeonato paulista. E assinam bem assinado, porque afinal é dentro de campo que se resolve tudo. Qualquer crise interna, qualquer desentendimento, qualquer rusga que se manifeste, tudo isso seria sanado com resultados positivos nos jogos. E esses jogadores não tiveram a capacidade de virar a história. Não foram competentes para driblar os adversários dentro de campo e nem os revezes fora dele. Sucumbiram frente a equipes infinitamente inferiores e sem explicação plausível para tais vexames.

Pois é. O desfecho negativo para o Palmeiras  foi previamente anunciado. E até aquele hilário Neto acertou nos seus delírios apaixonados de gambá com raposa ao se referir ao nosso time. Na verdade, não foi um acerto do Neto, mas um seu desejo realizado, que só não o deixou tão feliz porque  veio desacompanhado da realização de sua outra aspiração. Por linhas tortas, o castigo. Corinthians também eliminado. E no frigir dos ovos, 11º lugar ou 5º, é tudo o mesmo produto, com algumas moscas voejando sorridentes em volta.

sábado, 3 de abril de 2010

Das cinzas, ao Verdão do estrelato.

Claro que nunca me destaquei como pitonisa e nem ao menos tive essa inútil intenção. Mas ainda posso sonhar, porque o dia em que me subtrairem os sonhos, restará de mim apenas uma carcaça ambulante, completamente destituída de vontade própria, uma vez que aquilo que me move a pensar é justamente o pedaço de sonho que a cada dia tranformo em tijolo novo na construção da minha realidade.

O sonhar me produz algumas certezas, pois os meus voos são realizados com os pés arraigados no chão e então é justamente isso que me permite constatar que o Verdão voltará a seus melhores dias já a partir desta Copa do Brasil. Tudo conspira para isso. Inclusive o descrédito que a imprensa esportiva em geral nos aponta, capitaneada aí até por alguns cronistas comprovadamente palmeirenses, e no entanto com medo de sair da casca, qual jabuti em noite de trovoada.

Um sonho bem estruturado se firma pela experiência. Anos de janela, no avião que é a vida nestes campos verdejantes de nosso Palestra,  me conduzem a transliterar a certeza de que estão próximos esses dias de retorno ao estrelato. Primeiro, pelo excesso de humilhação, grande parte por nossa própria e máxima culpa, que nos fizeram passar em função dos péssimos resultados que obtivemos em algumas partidas. Segundo, por outros resultados que vieram em paralelo e que foram marcantes, como as vitórias contra São Paulo e Santos.

Percebam que são duas situações antagônicas, dificeis de explicar racionalmente, e que mostram uma única certeza: quando jogamos com os grandes, o nosso futebol também é grande. E daí sobrevém a linha mestra que me dá a condição de sonhar com segurança. Se ganhamos dos grandes podemos ganhar de qualquer um, e basta para isso apenas tranquilidade psicológica, aliada a um esquema tático destituído de qualquer tipo de covardia.

E não vou falar em novos reforços, uma vez que para esta competição em que estamos agora já não podemos contar com eles no número e na qualidade que necessitamos, mas com o time que está aí é possível engrenar uma trajetória em parábola-sobre, ou seja,  dar a tradicional volta por cima. Tenho plena convicção disso.

 E basta apenas não jogar com medo. Basta apenas partir em busca do gol. Todas as vezes que fizemos isso, conseguimos êxito. E nas oportunidades em que dominamos o jogo em forma de  toques laterais, fomos derrotados no descuido fortuito. Mas creio piamente que essa coragem está sendo retomada pela ação do nosso treinador, que já deve ter percebido o estado coletivo de depressão do  time.

E ainda mais, em tempo de Páscoa, a ordem é trabalhar ligeiro porque o anjo sacrificador aí está para ceifar a vida de todos os primogênitos. E isso é uma metáfora que pode e  de certa forma será  aplicada em alguns dos jogadores que compõem o nosso elenco, e que no mínimo deverão amargar um bocado de banco por conta desse sacrifício pascal, quando não  de outro tipo de castigo ainda mais radical.

Assim, das cinzas, podemos e vamos ressurgir altaneiros, para vencer no campo de jogo aqueles que tentam nos derrotar fora das quatro linhas. E brilhar no ponto mais alto do pódio, porque é esse o anseio de nossa torcida, que não é a mais numerosa, mas com certeza é a mais bonita, a mais vistosa, a que mais mostra amor pelo seu time, com raça, cantando e vibrando sempre, e que portanto merece esse grande "dá-lhe, porco" de virada.

Sonho? Que seria dele não fosse a esperança de torná-lo real?

domingo, 28 de março de 2010

Oração de um palestrino esperançoso...

Minha terra tem Palmeiras, que me encanta e me fascina. Que traz de ontem as glórias do sempre, marcando perceptíveis passos que se encaminham à vitória.

E a marcha desses passos, às vezes trôpegos como agora, só quedam para crescer com força, energia revitalizada no manto verde sagrado do Palestra Itália...

Dobramos os joelhos, sentimos o cheiro da grama triste a encher nossas narinas com uma dor mais atroz que a pior das dores atrozes nunca dantes vista, sentida ou imaginada.

E se nos partimos ao meio na tragédia anunciada, e se em cada metade que fica há fogo verde de esperança, viramos cinza ressecada pelo tempo, e das mesmas cinzas ressurgimos em passo de gigante.

Nossa queda é sempre gigantesca porque só um gigante pode cair com gigantismo. Mas os nossos voos são de colibri altaneiro, verde-sonho da esperança reconquistada na verde grama de nossos suspiros mais sublimes...

E o gol volta com força, e o grito escapa da garganta e podemos dizer de peito aberto: " O Verdão voltou... O Verdão voltou".

E voltou, sem mesmo ter ido. Pois para quem vai há sempre uma volta, mesmo que tenha ido sem mover palha alguma para estar ali...

E não nos esqueçamos: O Verdão é um grande rio que por onde passa, deixa também , amontoados, resíduos nocivos ao longo do seu curso, porque quem está conosco fica até o fim, e quem não está, abandonamos em cada margem de nosso roteiro, para que seja esquecido para toda a eternidade.

Assim seja...

quinta-feira, 25 de março de 2010

A maldição da azeitona belunzítica...

É um silêncio desanimador. A cada jogo do Palmeiras, o grito de poucos. No todo, um silêncio de dar medo. Um silêncio maldito, ou talvez o fruto de uma maldição lançada por um antigo guerreiro palmeríndio que morreu asfixiado por uma azeitona belunzítica...

Daí para cá  as vozes que descortinavam a verdade que não pode ser calada simplesmente se calaram. E hoje poucos ousam falar o que verdadeiramente precisa ser dito. É de fato, uma maldição. A maldição de ver outros perderem, mas nós também não ganharmos os pontos necessários. É só se fica nos xingamentos, as nossas bocas se abrem, mas como num filme de horror cômico, a voz não sai, a verdadeira voz não sai...

E botar a boca na corneta de nada vale. Esse som não pesa. É um som maldito, estéril, como a figueira da Bíblia, só serve para ser arrancada e lançada ao fogo. E assim como o futebol de nosso time, que não anda, que se agarra naquele meio-campo como se ali estivesse a melhor cola do mundo, ou talvez seja a baba maldita do guerreiro palmeríndio que morreu asfixiado por uma azeitona belunzítica...

Faltam apenas três rodadas para o término do Campeonato Paulista de 2010, e depois do jogo de ontem em que meramente empatamos com o espetacular, glorioso, portentoso, poderoso, inquestionável Rio Branco de Americana, estamos na tranquila 10ª colocação da competição. Lucidamente, sem chance alguma para a classificação, mesmo com derrota de São Paulo e Corinthians na rodada.

Não sabemos e não  temos força nem para nos aproveitarmos da incompetência dos nossos adversários mais diretos, no mesmo diapasão do Brasileiro do ano passado. É ou não é alguma maldição? Maldição de mão dupla, que tanto pode ser colocada na conta do lado psicológico de nossos jogadores, como na da maioria dos torcedores que permanecem silenciosos e arredios frente a uma insofismável constatação.

Naquela, porque grande parte dos atletas palmeirenses são comprovadamente bons jogadores e eles mesmos não entendem o teor da maldição que os acometeu. Nesta, porque ao tratarmos com uma geração fracassada em termos de títulos e de bom futebol, não se ousa sequer cogitar que esse time tem de ser desfeito. Não porque seja ruim, mas porque não se ligou quimicamente ao manto verde do Palestra, apesar da garra e da vontade de dar alegrias ao torcedor. Isto é um fato.

Tudo isso em função da maldição da azeitona belunzítica que um dia asfixiou um guerreiro palmeríndio e o prostrou numa indefinição de planejamento de gestão que oscilou mais que o time em campo. Quatro treinadores em 24 meses, dois deles considerados os melhores do Brasil e nem mesmo assim nos desvencilhamos da urucubaca.

Uma vez picados de cobra, o antídoto está no veneno da própria cobra, assim como na vida só a política pode nos salvar da política, então é necessário que se curta no próprio líquido uma nova azeitona bem verde e cheirosa, belunzítica ou não, embora nunca mais mustafenta, para sacrificar os guerreiros palmeríndios que forem necessários ser sacrificados.

E ao elencar esses palmeríndios, dar nome a esses bois, certamente uma dor horrível poderá nos percorrer a pele, mas é isso ou a continuidade dessa maldição por mais um bom tempo, mais gritos, mais xingamentos, mais cornetagem, e tudo infrutiferamente executado.

Não sou dono da verdade, mas acredito piamente nessa minha intuição. E quero estar certo, pois se erro na análise, então quer dizer que o time é mesmo ruim, que os jogadores são péssimos e que não há craques no elenco, o que explicaria os maus resultados. E em sendo assim, a equipe teria de ser desfeita da mesma forma. Ou não?

segunda-feira, 22 de março de 2010

É um choro de março fechando o Verão...

As chuvas começaram em setembro de 2009, juntamente com as lágrimas palestrinas. Coincidências à parte, o fato é que de lá para cá, enquanto as ruas de São Paulo e de muitas outras localidades no Brasil eram inundadas pelas águas de São Pedro, as lágrimas verdes começaram a fluir oscilantemente em meio a algumas raríssimas sessões de sorriso do Sol.

E agora estamos em março de 2010. E março marca o fim do Verão. E com elas secam as torneiras do céu por um bom período. E vem a esperança de que nossas lágrimas possam também traçar destino diferente daquele que tem projetado até aqui.

Alguns até  poderão dizer que muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte, mas o realmente concreto é que não conseguimos nem passar pela Ponte. E não passando pela Ponte, muito dificilmente conseguiremos estar entre os quatro finalistas do Paulistão. E não estar entre esses é uma vergonha pra palestrino algum botar defeito.

Mais um vez eu estive no Palestra, mas o jogo era tão importante que senti meus pés gelarem logo nos primeiros instantes do jogo. Toques laterais, bola ali, bola cá, e nada de bola pra frente. E quando chegava lá não havia nem um poste para o ricochete. Como vencer se não se chuta a gol?

E a Ponte em mínimos minutos vence por 2 a 0  um jogo inteiramente dominado por nós. E não é pra chorar? E chorando, não é pra gritar? E gritando, não é pra xingar? E xingando, não é pra mudar? E mudando, não é pra tentar? E tentando, é preciso ousar. E só  ousando se pode ganhar...

Não se trata de colocar a culpa no treinador, que deveria ter mexido no time logo para a entrada do segundo tempo, uma vez que o nosso domínio de jogo estava caracterizado como estéril e enganador. Mas sim argumentar que aquele time que estava em campo não poderia nunca, em nenhuma circunstância, perder para a Ponte Preta esse jogo.

Anos-luz separam a arte de alguns de nossos jogadores em comparação com os melhores da Ponte. Eu sei que nem sempre vence o melhor, mas vence sempre quem joga melhor. E o Palmeiras jogou melhor e não venceu. E não venceu porque estamos contando com peças que se escondem, que não se apresentam para o arremate final, que estão com medo de mostrar sua arte.

E sendo assim, com as lágrimas de março fechando o Verão, é necessário que esses jogadores ou saiam definitivamente do time, ou no mínimo tirem umas férias, refresquem suas cabeças e esquentem banco por um bom tempo. E não preciso listar aqui os nomes desses jogadores, pois todo palestrino que se preza sabe muito bem de quem eu estou falando.

E é necessário que essa medida seja tomada urgentemente pela comissão técnica e administrativa do Palmeiras,  sob pena de os jogadores que estão chegando sejam eles também contaminados por essa apatia, essa inércia e essa urucubaca que se instalou aí pelos lados do Palestra.

E podem escrever como o faço agora, com meu choro de março fechando  esse verão chuvoso e uma lágrima verde ditando a palavra, a palavra ditando a linha, e a linha ditando a oração, que se nada for feito com esse teor, amargaremos um ano perdido com  mais um grito reprimido de Palmeiras campeão.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A elegância de volta ao Verdão...

Não dá para comparar conteúdo, dizer quem é melhor, se este ou aquele. Mas dá gosto ver que a elegância está de volta ao Palmeiras. Passos largos, ombros retos, olhar altivo, cabeça erguida, passes medidos na precisão da balança, leves como pluma flutuante e  com endereços milimétricos atingidos num ciscar de cílios.

Este é um fato. Lincoln é um fato. E ouso afirmar com toda e quase única propriedade o meu destemor em enfrentar retoques de precipitação. Opinar sobre circunstância confirmada é também uma arte desenvolvida por poucos, e é claro que a maioria dessa minoria vai no mínimo torcer o nariz para esta minha afirmação sobre Lincoln, mas não posso deixar de escrever o que me vai pela alma ao ver o meu Verdão jogar.

Lincoln é um fato. Um fato concreto. Mas vão dizer que somos torcedores carentes de ídolos, dispostos a jogar essa responsabilidade no primeiro bom de bola que aparece, que é preciso esperar para ver se o jogador dá liga e assim e por diante. Eu, porém, já tenho o meu veredicto: Lincoln é a volta da elegância ao Verdão.

E no uso dessa metáfora, também me permito dizer que depois de algum tempo, estamos prester a cultuar um novo ídolo, um ídolo diferente dos que já tivemos,  pois Lincoln se apresenta  carregado de características miscigenadas na Europa no que se refere ao desenvolvimento de seu futebol, mas bravamente brasileiro na elegância de produzir o seu trato com a bola.

E não há comparação possível. Não falo de Ademir, nem de Valdívia, Rivaldo ou Djalminha. Falo de um fato. Lincoln é esse fato. Lincoln é esse jogador que vai fazer nossa torcida entrar em estado de catarse, antes, durante e após cada jogo. E não há melhor. E não há pior. Há semelhanças nas diferenças, e igualdade plena na elegância de jogar futebol.

Eu sei, entretanto, que palestrinos embrutecidos pela racionalidade dos números vão dizer que esse jogo em que vencemos o Paysandu por 2 a 1 não nos ofereceu o resultado esperado, e que para ser considerado craque o jogador tem que fazer os resultados que a ocasião requer.

Pode até haver altas doses de razão em considerações desse tipo, mas eu teimo em dizer que mais que resultados é preciso criar uma pintura na partida da mesma maneira com que o artista utiliza o pincel para entregar sua obra, da mesma maneira que o artista usa o cinzel para desbastar sua escultura, da mesma forma que o poeta canta as palavras para dar vida a seus poemas...

E Lincoln é um fato. Lincoln faz isso. Mas o futebol é equipe. Um poema se faz sozinho. Para conseguir um resultado ansiosamente esperado é preciso que todas as peças funcionem adequadamente em sua função. E no Palmeiras, todos sabem, algumas delas ainda  não se encaixam perfeitamente, o que impede por enquanto que nosso time seja considerado uma obra de arte.

E além disso, jogadores jogam. E não são 11 dentro de campo. São 22. Cada um a sua maneira busca construir a própria  história usando os requisitos que possui. Uns com arte, outros nem tanto, e alguns até sem arte alguma, mas todos sem exceção na busca de um objetivo previamente traçado. E convenhamos: destruir é muito mais fácil que construir. E esta é uma afirmação objetiva.

Apenas por esses pequenos detalhes não conseguimos os dois gols de diferença que dispensariam o jogo de volta. E cá pra nós, eu adorei que assim o fosse porque o que eu quero é ver o meu Verdão jogar. E agora ainda  mais, depois que a elegância voltou a vestir o verde de Palestra Itália.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Nana, nenê, que o Vinte vem pegar...!!!

É, Maria Izabel...A praia estava deserta, mas o campo não. Sem esteira, mas de chapéu, lá estava você na Vila mais verde do mundo com seus bebês-chorões a tiracolo. Onze bebezões achando que a vida é um simples naco de algodão doce.

Mas a vida não é isso não, Maria Izabel. E soa clichê, soa lugar-comum, é clichê, é lugar-comum, mas você sabe, Maria Izabel, que rapadura é doce, mas não é mole, certo? Certo. A rapadura é sempre dura, e pra velhinho ou bebê, provar de seu mel é só...chupando!

É isso, Maria Izabel, lance mão de seu chapéu e diga aos bebezinhos: "chupa cambada. E chupa direitinho se não o titio Robert volta pra pegar vocês". O titio Robert...Um vinte....Um acinte...Uma Cuca sem uruca que cutuca a nuca do santista brazuca que voltou sem nunca ter sido, né Robito? Que bonito! Berrou no jogo igual cabrito.

Canta, Maria Izabel, canta... " Nana, nenês, que o Robert vem pegar, vem ele, vem Armero e o Diego a dançar..."  E assim, melzinho na chupeta. Melzinho no pirulito. Um pirulito? Não, moçada, quatro pirulitos dos quais três deles foram presentes do titio Robert e mais um do tio Diego. Quatro pirulitos para adoçar os bebês de Maria Izabel, sem esteira e agora também sem chapéu, oh, céu...Que verde cruel. 

E o Vinte continuou vinte, vinte na camisa, mas nesse jogo contra a bebezada santista, abandonou o papel de poste, desistiu de ser cone e promoveu barbúrdia infantil na área das sardinhas mimadas. Robert jogou como um leão, e como leão tirou o doce da boca da imprensinha.

A mídia, apressada e antecipadamente, já tinha o Palmeiras como perdedor, esquecendo-se de que quem morre na véspera é peru, esquecendo-se de  que baleia morre na praia, esquecendo-se de que peixe morre pela boca. A boca que muito fala com o próprio espinho se  entala.

E já perdido antes de jogar, imagine-se o Palmeiras no primeiro tempo já com dois a zero nas costas? Júbilo total nas cabines, sorrisos caiados nos microfones, letras garrafais já nas impressoras dos jornais... Manchetes prontas. E Robert, primeiro pirulito. E Robert, segundo pirulito. Decretado empate ainda na etapa inicial.

E emudeceram-se as bocarras jactantes. E calaram-se as manchetes flutuantes. O cone já não era cone. O poste já não era poste, o pino de malha já não era vinte, e o Verdão contente cantava pra você, Maria Izabel, que sem esteira e  sem chapéu, na Vila mais verdinha do mundo, tirava da rapadura o mel.

E o que não era passou a ser.  Um pirulitinho de Diego, um anão de quatro na grama, e outro pirulitaço de Robert completaram o segundo tempo. Tirava-se definitivamente  o doce da boca da imprensinha, e empurrava-o docemente  na boquinha da bebezada da Maria Izabel. Oh, céu! Que verde cruel!

Vitória de lamber os beiços. Vitória de deixar em versos nossa Maria Izabel ninando as crianças: " Nana, nenês, que o Robert vem pegar...É um vinte, é um poste, mas cada gol nos fez calar..."

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um pino que é vinte e o fino da bola...

Minha filha são-paulina, sempre tão afoita a secar o meu Verdão, demonstrou-se apática no pré-jogo da segunda do Palmeiras contra o Sertãozinho. Disse que estava indiferente ao resultado e falou assim de um modo tão desprentensioso que quase acreditei nela. Foi como se ela afirmasse: "não se bate em cachorro morto".

Cachorro morto o catzo. Meu Verdão, que além de meu, também o é de quase vinte milhões de outras almas esmeraldinas, não morre nunca. E cachorro não é exatamente o bicho que se enquadra ao Palmeiras. Se atentarem para outro parque, saberão claramente de que tais cores estou falando e de qual cachorro.

Detalhe: ela foi dormir mais cedo e nem viu o Verdão ganhar de forma heroica do grandioso, portentoso, poderoso Sertãozinho por 3 a 2, depois de estar perdendo o jogo até os 38 minutos do segundo tempo, quando enfim Xavier foi feliz numa finalização e decretou o empate, propiciando-nos um sofrimento ainda maior nos minutos finais da partida, dada a nossa ânsia de querer vencer o jogo.

Sofrimento sim, pois no meio do nosso caminho não tinha uma pedra, como diria Drumond. Mas tinha um poste, como sempre dizem alguns, e tinha um cone, como dizem outros. E um jogador que esportivamente falando não concentra em si mais que 20 neurônios, e que realmente é um Vinte, camisa 20, e Vinte, aquele pino do jogo de malha que só se mexe para cair quando o ferro lhe bate em cima.

Pois é! Um fino sem bola, um pino que, além de não fazer o que é necessário fazer, ainda atrapalhou o companheiro Danilo na hora de um  gol mais feito que o próprio efeito de não ser gol. Haja coração. O jogo por um fio, a esperança por um fio, a classificação por um fio, e o desperdício grassando na maior das linhas sem fio.

Sem fio de liga. Desesperador. De arrancar os cabelos. Um fino sem bola. E um fino da bola. Xavier enfim, nos descontos desconta a nossa amargura e nos dá a suada vitória.  E estamos vivos. Sem ser cachorro. E muito menos morto. Que catzo.

Um tributo ao cone. Um tributo ao poste. Um tributo ao vinte. Camisa 20. Que acinte!!!


quinta-feira, 4 de março de 2010

Com cabeça quente não se arranca dente...

Há horas em  que não dá para tratar em forma de poesia. Há horas em que o fígado age com mais precisão que qualquer coração ou cabeça consciente. Há horas em que a vontade é de cuspir fogo, tal qual um dragão indomado na meia-lua da inconstância.

Nessas horas, e sobretudo nessas horas, é que pouco ou nada deve ser dito, pois de  uma cabeça quente só pode advir ações mais que ferventes. E a cabeça do palestrino neste momento está muito mais pra Vesúvio que calota do Ártico.

Assim, passadas algumas horas do novo leviatã que atingiu o Palestra Itália, quando o Palmeiras perdeu de 3 a 1 para o Santo André, a expressão de ordem agora é juntar os cacos, redefinir forças, corrigir rotas, avaliar possibilidades e...seguir em frente.

O futebol é muito dinâmico, e quem age nele como pitonisa acaba quebrando o pito. Às vezes,  a situação do momento dá algumas pistas que nos permitem colher o ponto futuro, assim numa jogadinha de um-dois, com final previsivelmente demarcado, isto se o adversário não antever também a intenção que lhe permitiria interceptar a trajetória da bola.

Claro que nossa classificação ficou agora muito mais dificil. Claro que dá para a apontar erros em todos os setores do clube que tratam do tema futebol, inclusive posturas antissociais de alguns torcedores, o que também não nos permitem generalizar nem contra torcida organizada.

Em partes, como gostaria Jack, pode-se creditar à diretoria erros grosseiros como o de desmanchar o ataque de 2009, ao deixar Ortigoza e Obina irem embora e ficando com apenas Robert no elenco como atacante. Depois, sem contratar ninguém, demitir Muricy apenas por questões de política interna, e também efetuar contratações de jogadores que demoram a entrar em forma.

Aos jogadores cabe a culpa de não saberem lidar com essa estrutura polêmica e passional e amplamente amada que é a Sociedade Esportiva Palmeiras. No choro de Armero, a declaração de incapacidade de reagir de outro modo; na má fase de  Diego, a ineficiência de assumir postura de craque; na opacidade de Xavier, a insatisfação talvez de não ter sido vendido na janela de meio-ano de 2009, e dos demais integrantes, exceto os que chegaram em 2010, a simples culpa de não poderem corresponder com o que não sabem ou não podem  corresponder.

E em meio a isso, a intocabilidade de Marcão e Pierre. Que também passaram e mostraram grandes erros numa partida ou outra, mas com tais identificações com o sagrado manto verde, que incólumes permanecem aos olhos da maiora de nossa grande torcida de quase 20 milhões de brasileiros.

Fica patente, então, que algo precisa ser feito. Mas nada de desespero, pois isso  se transforma num fantasma que incide negativamente  direto  ao campo de jogo. Há jogadores ainda para estrear, importantes, bons de bola, que juntos a outros ainda por vir, podem salvar a nossa jornada em 2010.

Entretanto, se permanecer a cabeça quente... Ah sei, não..porque com cabeça quente, meu amigo, não se arranca dente. E se teimar, pode-se ficar  sem boca. E palestrino sem boca não come amendoim.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Chove chuva, mas deixe meu Verdão jogar...

Perder de um a zero para a chuva não é nada. Perder para o Rio Claro, mesmo com  chuva, campo encharcado, bola presa em poças e poças, é que é o pior. Mas o pior realmente pior, sem dúvida, é perder 3 pontos e praticamente ficar fora do chamado grupo que disputará o título.

Toda e qualquer desculpa não é desculpa. Toda e qualquer culpa é mais que culpa, porém não faz mudar o cenário que se avisinha. Estamos quase fora do G de Cima, mas pelo menos temos o conforto de saber que o nosso time é médio e não corre riscos de cair.

E isso a chuva nos provou. Ganhamos do São Paulo, em seguida do Flamengo do Piauí e já achávamos que tínhamos uma equipe que ia para as cabeças. Mas a verdade é que de equipe nosso time não tem nada. As águas da chuva apenas desnudaram de vez os nossos problemas e confirmaram aquilo que inconscientemente já sabíamos.

O nosso time é fraco, e às vezes joga como um emaranhado de jogadores que correm não se sabe para onde, menos para o lado lógico de cada situação que é o poder de ser equipe, de cada um jogar pelo outro.

E os jogadores tentam isso, mas esbarram nas próprias limitações. Então nada a reclamar do que temos, pois é isso o que temos.  E essa oscilação constante nos nossos resultados é um  predicativo de times médios, uma vitória aqui, derrotas e empates lá, e vamos indo. E claro que vamos indo a lugar algum, uma vez que é ali que dorme quem joga assim.

E durma-se com um barulho desses. Barulho de chuva, bom pra dormir. Mas dormir perdendo de 1 a 0 para o Rio Claro, mesmo com chuva, é deprimente. Por isso, chuva, deixe meu Verdão jogar, mas sobretudo, chuva, faça meu Verdão pensar, faça meu Verdão ser equipe, faça meu Verdão ser um time, porque o MEU Verdão não é só meu, é de milhões.

E sendo de milhões, mesmo com você, chuva, não dá para perder de quem não ganha de ninguém. Porque perder para que não ganha de ninguém é ser pior que ninguém. E isso dói. Para, chuva.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entre umas e outras tem também do Piauí

...mas que começa no Japão. Não o japão Japão, mas o Japão ali da Liberdade, mais precisamente de um japonês taxista que nos levou, eu e ao @DeividDemori, ao Palestra e não sem antes tentar nos dar uma tiradinha.

Sambista o cara, corintiano e espoleteiro da Gaviões, abriu uma bocarra duas vezes maior que o dobro de seus olhos e nos mandou na cara aquele gol do Ozéias, bem marcado, dirigido, só que contra as redes palestrinas.

No entanto não ficou sem troco. O Deividão, inspirado, retrucou com o pênalti de Marcelinho e aquela sensacional defesa do São Marcos no jogo da Libertadores que mais que uma viúva Porcina, para os gambás, já o era sem nunca ter sido.

O japa riu amarelo, nós rimos verdemente e chegamos a conclusão que aquele japonês era um talismã e nos traria a sorte de ver um Palmeiras e Flamengo do Piauí acabar em 7 a 0 pra nós. 7 não deu, mas chegamos a 4 e ficou de bom tamanho.

No jogo aquela história. Futebol de um time só. Verdão atacando sempre perigosamente, perdendo gol atrás de gol, mas assinalando os necessários para consolidar a vitória. E mais uma vez, o time saia de campo sob aplausos da torcida, que muitas vezes se desconcentrou do jogo para sorrir com Jardel, fora de campo, roubando a cena.

E tanto roubou a cena que muitos torcedores nossos começaram um coro pedindo ao técnico adversário que botasse o folclórico jogador em campo. Não fomos atendidos. O treinador do Fla achou que não podia tirar ninguém só para o Jardel entrar. Aí alguém ao meu lado gritou alto na arquibancada já barulhenta:

_ Põe o Jardel...E não precisa tirar ninguém, Joga com doze.

Mais uma vez o técnico não atendeu. Talvez tenha achado, olhando para aquela barriga e aquela disposição, que onze mais um ao invés de somar doze, com Jardel naquele estado, o time viesse a piorar ainda mais. Coisas do Piauí. Ou do Rio Grande, Do Rio Grande do Sul, tchê...

Pelo menos foi o que pensou o taxista palmeirense que nos trouxe de volta à Liberdade, depois do jogo. Muito feliz pela vitória do Palmeiras e derrota do São Paulo, acabou por confundir o Deividão com gaúcho. Disse que era pelo sotaque. Sei lá. Do Japão ao Piauí, passando por 4 a 0 e chegando até o Rio Grande do Sul ainda há essas e muitas outras pra contar. E o Deivid que explique o tal sotaque.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Chororô de cotovia é ovo...

A galinha quando bota um ovo ela canta desvairadamente, o que ocorre com a maioria das aves, umas com certo comedimento; outras nem tanto. De qualquer forma, são manifestações escandalosas, carregadas de aparato e de afetação.

No futebol e principalmente quando se trata de São Paulo FC, toda vez que ocorre um resultado adverso, essa afetação aparece em forma de choro. Haverá sempre um terceiro envolvido na má jornada do time, e para não variar, este é a figura do juiz.

No jogo de domingo, quando o Verdão numa jornada que honra suas tradições praticamente engoliu o adversário durante todo o tempo do jogo, vencendo por dois a zero, fora o olé, as reclamações começaram a aparecer de forma pipocada na mídia.

Reclamaram de um pênalti não marcado em Marcelinho Paraiba e da expulsão de Xandão, considerada punição em demasia. No entanto, foi  rechaçada qualquer anomalia na falta dentro da área contra Robert. Coisas do São Paulo. Os outros estão sempre errados.

Na jogada de Marcelinho Paraiba, este, de propósito, enrosca o  pé direito no calcanhar esquerdo do nosso zagueiro e se joga espalhafatosamente. Só não é considerado um lance normal  porque contorcionismo é modalidade circense e não de futebol.

Na expulsão foi uma disputa de corrida que Xandão perdeu para Eduardo, e na iminência de invasão da área, empurrou indubitavelmente o nosso lateral, que corria em direção ao gol. Quando se impede faltosamente a possibilidade de um gol, cartão amarelo, e ao ser o segundo, expulsão. Choro bobo.

Na falta em Robert dentro da área tricolina poder-se-ia até dizer que foi uma troca de empurrões a partir da entrada da grande  área, o que é normal num jogo. Mas na sequencia não é normal um jogador ser puxado dentro da área, cair em função disso, e o juiz não marcar.

Por essas e por outras, mais uma vez o chororô do São Paulo não comove ninguém, diferentemente da cotovia, que quando canta ao novo ovo, seu canto é mais que um choro. Assim, o choro de são-paulino não é nada novo, mas o chororô de cotovia é ovo.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pra frente, Verdão... Vitória hoje agora é obrigação!!!

A nós torcedores por mais passionais de que se revistam nossas intervenções no dia do clube amado, é sabido que apenas nos cabe torcer para que os resultados DENTRO DE CAMPO sejam os mais aproximados possíveis à efetivação de nossa satisfação.

E quando muito PROTESTAR no momento em que  atos externos ao campo de jogo possam influir decisivamente na produção do time.

 Um protesto, porém, não há de ser  ofensivo e nem violento, e sobretudo, precisa observar sempre o direito de defesa, ou na verdade o direito de o objeto do protesto poder provar sua eficiência ou não na condução de situações que se ultimam nos limites das quatro linhas.

Aí sim, esse resultado pode gerar aplausos ou protestos, reconhecimento ou vaias...

Na conjuntura palestrina, recentes atos ficam para trás, temporariamente esquecidos na gaveta da expectativa. E ficam para trás justamente porque amplamente analisados, dissecados, postos à diversidade de opiniões, restando a única alternativa possível que é a de esperar suas consequências.

E uma delas passa pelo jogo de hoje.

Não por ser contra o São Paulo, mas porque não podemos ficar sem esses três pontos. Uma derrota  praticamente é o fim de qualquer aspiração neste campeonato.

E a torcida então para que Antonio Carlos acerte na escalação e no esquema tático deve ser a nossa primeira preocupação.

Todos sabemos que embora sem elenco, Muricy podia efetuar algumas alterações, mas não apresentava ousadia para isso. A insistência com Robert, a colocação de Wendel na esquerda, a contratação de Eduardo e sua não utilização, tudo isso contribuiu também para os maus resultados do treinador no comando da equipe.

Uma vez alterado o panorama, técnico e motivação novos, aos torcedores só resta agora TORCER, ao jogadores JOGAR e aos dirigentes DIRIGIR. Se cada um cumprir bem sua obrigação, teremos dado todos os passos para vencer essa crise e continuar na competição com chances de vencê-la.

No entanto, os jogadores têm agora uma obrigação a mais: vencer de qualquer maneira.

Têm de vencer para salvar a postura dos dirigentes, têm de vencer para iniciar bem um diálogo com o novo treinador, e têm de vencer porque precisam dar uma satisfação a essa torcida que é o único vértice desse triângulo que não logrou culpa alguma nesse cartório de lágrimas em que se transformou o nosso Verdão.

Por isso,  é torcer agora como nunca. Vamos lá, Verdão. Vencer o São Paulo agora é obrigação!




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A arranjada queda de Belluzzo...

Belluzzo caiu. Caiu sim. Embora não tenha caído do alto de sua (des)onipotência enquanto presidente do time mais amado como alguém jamais amou, caiu no conceito de quem depositava nele a esperança de que ele fosse no mínimo...diferente. E principalmente diferente nos métodos de fazer política.

E não torça o nariz aquele que diz que não gosta de política porque esta se faz de qualquer maneira, gostando ou não. Ou se faz política com ação ou com omissão. Quando ela é  feita com ação, o livre-arbítrio comanda e o resultado se responsabiliza por si só. Quando realizada com omissão, o resultado quase sempre é ditado por mãos alheias...

Belluzzo foi omisso porque deixou que mãos que não as suas dirigissem o clube. Usou emoção mais que razão e prejudicou o equilibrio necessário ao bom comandante. Pensou com cabeça alheia e acabou, mesmo que inadvertidamente, caindo no lugar-comum do mesmismo da omissão política.

Porém, como é um homem reconhecidamente inteligente, percebeu a armadilha em que se enredera e deu o golpe de mestre. E golpe é sempre golpe. Golpe é o mesmismo da ação política. Quando isso ocorre, inocentes pagam por essa ação nefasta. Inocentes sucumbem quando a política de interesses conflitantes articula elementos de coesão, distribuindo anéis para manutenção dos dedos.

O resultado disso tudo foi a demissão de Muricy, por um lado, e o descarte de Toninho Cecílio, por outro. Com isso, embora dolorido pela ação de perder Muricy, Belluzzo se armava com a tal conciliação e  se fechava num grupo político capaz de levá-lo a reeleição como presidente do clube no próximo embate eleitoral.

E o time? E a torcida? Time e torcida? Detalhes...Relevantes são os negócios.

Com Muricy, uma Traficc enfraquecida. Sem Muricy, união eleitoral em torno de Belluzzo e garantia da continuidade daquela parceria que faz o Palmeiras produzir jogadores não para ganhar campeonatos, mas para encher os cofres da empresa aliada. Aliada ou cúmplice, sei lá...

Não se trata aqui de defender Muricy, uma vez que uma análise mais apurada de retrospecto dos jogos não é lá muito positiva para o treinador,  e sim erguer uma trincheira a favor de  posições que a seriedade dele no comando do time deixava patente serem transparentes na condução do processo, tais como revelações de jogadores,  relacionamento com a imprensa e com os próprios jogadores.

Em suma, Muricy ganhou grande parte da torcidade justamente por causa dessa transparência. E sua demissão, da forma como foi  engendrada, passo a passo, planejada  com detalhes que por sórdidos devem ser poupados aos nossos olhos virgens de tais maracutaias, mostra que os novos rumos do Palmeiras na verdade revelam-se mantenedores das velhas teses, da mesmice política que um dia achamos Belluzzo poderia enfim descartar.

Grande engano. Muricy foi demitido, mas quem caiu foi Belluzzo. Uma queda arranjada em que o conceito da torcida ou os resultados do time nos jogos pouco importaram. Ou se importam agora, importantes são na medida em que conciliam interesses meramente particulares.

E fazer parte disso faz um homem cair como jamais pensamos  Belluzzo pudesse cair.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Chuteira amarela quem será o dono dela?

Sim, meninos...Meninos, eu vi.
E queria não ter visto. O Robert com aquela chuteira amarela é dantesco. Não por causa da chuteira amarela, mas pelo amarelo de seu futebol mínimo, quase nada, ou nada simplesmente.

Estive no Palestra para ver ontem, 17.2, esse jogo com o São Caetano. E estive ali sem muita esperança, mas ainda um tanto otimista com a possibilidade de enfim o time deslanchar. E se possivel com uma goleada.

Mas não uma goleada nas costas, como tomamos. Levar 4 a 1 do São Caetano nessa altura da competição é muito mais que dantesco. E a chuteira amarela do Robert ficou dançando nas minhas retinas e na minha inspiração noite afora, penetrando na alma e produzindo mais uma vez aquela dor que já estamos acostumados a sentir.

Meninos, eu vi. Eu vi um time que começou jogando bem, ameaçando, partindo pra cima do adversário. Vi um Diego correndo de um lado a outro do campo, driblando, efetuando passes que morriam feiosamente na chuteira amarela do Robert.

E numas dessas mortes da bola, eu a vi reviver-se  num contra-ataque veloz do adversário, quando Diego deixa Robert na cara do gol, e a defesa chega na frente ajudada por uma previsível poça de água. Gol perdido, bola de volta, de pé em pé, na velocidade, e gol contra nós.

E aí começou a derrocada. Um segundo, o terceiro. E na etapa final, o quarto.

Meninos, eu não vi. Quando Robert perdeu aquele fatídico  gol eu já previa o contra-ataque fatal e fechei os olhos. Mas um palestrino ao meu lado viu. Viu o Robert perder o gol e o Diego virar-se para o Muricy  e abanar os braços, com desânimo.

E nesse abanar de braços, o contágio. Dali  pra frente, parece que as pernas de nossos jogadores grudaram-se no chão, pesadas, forçando a gravidade. E todos elegiam então naquele instante o homem da chuteira amarela como culpado.

Não, meninos. Robert não é culpado de nada. Não se pode exigir do pelado, do pé descalço, do braço nu, aquilo que ele não pode oferecer. Culpado é quem contrata jogador assim para jogar no Verdão. E mais culpado ainda é quem escala. Wendel  na esquerda é uma piada, Figueroa na direita uma aberração, e o Marcão desanimado é melhor  ficar em casa.

Mas o problema é que só o Robert estava de chuteira amarela. Mas a metafórica chuteira amarela também está aí, pronta para calçar diretor, pronta para calçar técnico, pronta para calçar presidente, pronta para calçar jogar que desanima, que desiste do jogo. Pronta para calçar quem  não gosta do Palmeiras.

A chuteira amarela quem será o dono dela?

E no domingo, meninos, atenção: ganhar do São Paulo virou obrigação. Ou não?


 
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